Último Passe 

Crédito: FPF
2016-11-12
A batalha da seleção é com ela mesma

Fernando Santos fez o seu papel ao alertar para as dificuldades que a seleção da Letónia pode vir a colocar a Portugal, mesmo (e sobretudo) tendo exagerado nas qualidades que atribuiu ao adversário. De resto, por tudo aquilo que têm dito durante a semana, também os jogadores parecem conscientes da realidade: este é um jogo que só pode ser para ganhar, tão grande é a diferença de qualidade entre as duas equipas. E mesmo tendo eu a convicção de que a Suíça acabará por perder pontos em alguma curva do caminho, a qualificação de Portugal decidir-se-á lá mais para a frente, no duplo confronto com a Hungria, marcado para Março e Setembro, antes de se jogar o fundamental Portugal-Suíça, no último suspiro da qualificação.

Neste domingo, contra uma Letónia que ganhou a Andorra mas perdeu em casa com as Ilhas Faroe, uma seleção que já ficou em último lugar no seu grupo de qualificação para o Euro’2016 – ainda que empatando cinco dos dez jogos, quatro deles fora de casa, por exemplo frente a Islândia, Turquia ou Rep. Checa – Portugal tem tudo para ganhar. Não são a falta de Pepe, o desaparecimento da veia goleadora de Ronaldo no Real Madrid ou as dúvidas acerca do homem que o acompanhará no ataque que vão impedir a equipa nacional de somar mais três pontos e manter a pressão sobre a Suíça. Acredito que José Fonte e Bruno Alves chegam para o ataque letão, que a equipa pode manter dois laterais muito ofensivos, voltar a jogar sem médio centro posicional, colocar Nani numa das alas e entregar o centro de ataque a Ronaldo e André Silva e ganhar com tranquilidade mais três pontos.

A batalha desta equipa, porém – e uma batalha que ela começou a ganhar no duplo confronto com Andorra e as Ilhas Faroe – é consigo mesma e passa por convencer-se que estas facilidades de calendário não podem implicar perdas de concentração ou divergências entre o discurso de empenho máximo que os jogadores vêm apregoando e a prática. Porque, repito, apesar de não acreditar que a Suíça possa chegar à última jornada com o pleno de vitórias – só a Inglaterra o fez na última qualificação, enquanto que nos grupos de apuramento europeu para o Mundial de 2014 ninguém cometeu tal proeza – aquilo que Portugal tem de fazer é repetir a caminhada 100 por cento vitoriosa que se seguiu ao arranque perdedor na última qualificação. E sobretudo tem de convencer o país de que é capaz de o fazer, para poder tê-lo às costas nos momentos decisivos. É por isso também que Fernando Santos diz o que diz. Porque isso é o que os jogadores precisam de ouvir neste momento.