Último Passe 

2015-09-09
A responsabilização pela positiva dos presidentes

Quando se trata de futebol, a opinião em Portugal tem uma tendência irreprimível para os tiros ao lado. Anda muita gente a fazer barulho com o novo cartão de sócio do Benfica, que custa cinco euros, como vai andar muita gente a protestar porque Bruno de Carvalho pode duplicar o salário de presidente da SAD do Sporting para os 10.500 euros brutos mensais. Na verdade, por muita razão que possam ter aqueles que contestam estas medidas, ambas as questões são irrelevantes. A responsabilização deve ser feita pela positiva.
Os cinco euros por sócio podem ser uma cobrança compulsória, mas quem gosta verdadeiramente do seu clube não pode importar-se assim tanto com isso. Uma duplicação salarial de um momento para o outro pode parecer um abuso de poder ou de posição dominante, mas aquilo que não faz sentido é que um presidente possa receber menos ao fim do mês do que um qualquer ex-júnior que dê os primeiros passos no plantel. Se é dele que emanam as maiores decisões que o clube tem de tomar, o mais normal é que tenha um salário a condizer, pois o futebol profissional de alto rendimento não pode ser entretenimento para milionários com muito tempo: tem de ser uma atividade reservada aos mais capazes.
O que não é normal nem coerente com esse caminho é que venham a instaurar-se processos a quem erra, como pode vir a ser o caso dos líderes leoninos que já deixaram o cargo. Porque por maior que seja o salário do presidente, há sempre uma certeza: ele cometerá erros. E não é por, tal como foi ontem sublinhado por Marco Silva em entrevista ao Record, Jorge Jesus ter subscrito todas as decisões tomadas na época passada pelo então treinador, abdicando dos jogadores a quem este já tinha dado poucas ou nenhumas oportunidades, que Bruno de Carvalho merecerá que um dia, quando a maré mudar, lhe instaurem um processo, por ter tomado más decisões de mercado.Pelo contrário: merece que, tal como deve vir a ser aprovado em AG, lhe aumentem o salário; merece que a posição que ocupa seja mais dignificada, para que cada vez mais seja a competência - e menos o tempo livre - a definir quem se senta naquela cadeira. E nesse aspeto, apesar de tudo, Bruno de Carvalho está com saldo claramente positivo.