Último Passe 

2016-11-01
Fejsa é o jogador que Vitória não pode perder

A importante vitória do Benfica sobre o Dynamo Kiev (1-0), que permitiu ao campeão português continuar bem vivo na Liga dos Campeões, teve o contraponto na infeliz lesão de Fejsa, que abandonou o campo a meio da segunda parte e está em dúvida, pelo menos, para o jogo com o FC Porto, no Dragão, no domingo, do qual depende muito do que será a Liga portuguesa nos próximos tempos. Rui Vitória já se viu a braços com tantas ausências – até Jonas – que há-de haver muito quem pense que mais uma, menos uma, não lhe fará assim tão grande diferença. Mas Fejsa é provavelmente o jogador mais difícil de substituir no Benfica. Porque se a falta de Jonas se sente mais quando o Benfica tem a bola – e portanto a capacidade de escolher caminhos alternativos – a de Fejsa nota-se sobretudo quando é o adversário a controlar a iniciativa.

Fejsa é fundamental no processo defensivo do Benfica, porque é capaz de estabelecer o equilíbrio permanente da equipa, aparecendo onde faz mais falta. Depois, joga bem com o corpo, cobrindo a bola e impondo o físico no desarme. Samaris, em comparação, sai mais da posição, oferece mais de si próprio ao ataque, aparece mais até em posições de finalização, mas não tem a leitura de jogo do homem que hoje substituiu. E enganem-se os que pensam que Fejsa é irrelevante a atacar. Não sai com a bola em posse, não dribla, nem tem por hábito fazer golos – e Samaris até os faz com alguma frequência – mas não é de perder passes e até tem vindo a arriscar mais quando os faz, ligando por vezes com os avançados. Lembra-se das derrotas do Benfica na Liga do ano passado? Com o Arouca? Fejsa foi suplente. Com o FC Porto, no Dragão? Estava lesionado. Com o Sporting na Luz? Entrou para a segunda parte, já com 0-3 no marcador, mas magoou-se e teve de sair. E com o FC Porto na Luz? Estava outra vez lesionado.

Na época passada, Fejsa não foi apenas campeão. Jogou apenas 22 minutos numa das quatro derrotas da sua equipa, e depois de esta já ter entregue o resultado. Aliás, não é por acaso que ele vem com oito títulos de campeão nacional consecutivos: campeão sérvio pelo Partizan em 2009, 2010 e 2011; campeão grego pelo Olympiakos em 2012 e 2013; campeão português pelo Benfica em 2014, 2015 e 2016. A vitória sobre o Dynamo Kiev deixa o Benfica relativamente bem posicionado para seguir em frente na Champions – precisa, na pior das hipóteses, de uma vitória e um empate nos dois últimos jogos, sendo que se a vitória vier em Istambul a última jornada será irrelevante – mas é seguro que esta noite Rui Vitória não estará tão preocupado a fazer contas a cenários de qualificação como à espera das necessárias 24 horas para que seja feita a reavaliação do estado físico do seu médio-centro. Porque se a equipa soube readaptar-se até à perda de Jonas – Guedes joga diferente, mas a equipa percebeu-o e mudou – mais difícil lhe será habituar-se a não ter Fejsa, cuja importância é mais dificilmente catalogável, por se notar sobretudo em que a iniciativa é do adversário.