Último Passe 

2016-10-23
Um Benfica que sabe bem ao que joga

As competições europeias não têm necessariamente que afetar o rendimento das equipas na Liga e a prova disso é dada a cada jornada do campeonato pelo Benfica, que venceu todos os seus jogos após as partidas na Champions. Hoje, ante o Belenenses, no Restelo, fê-lo mesmo de uma forma convincente, por duas razões muito simples: tinha melhores jogadores do que o adversário e eles sabiam perfeitamente ao que jogam.

Já tinha escrito aqui que o Benfica joga sempre como grande, porque os seus princípios de jogo nunca deixaram de ser os de um grande, mas ganha muitos jogos com armas de um pequeno: a grande eficácia no aproveitamento das ocasiões de golo e a forma como nega esse mesmo golo aos adversários nas ocasiões que ainda assim lhes permite. Pois na noite em que bateu o seu próprio recorde de vitórias consecutivas fora de casa no campeonato (são agora 16, uma acima das 15 conseguidas em 1972 e 1973), a equipa de Rui Vitória foi mais dominadora do que tem sido hábito, sem os períodos de ocaso no jogo que tinham valido alguns sustos nas anteriores deslocações e tendo mesmo a maior dose de desperdício: além dos dois golos, acertou duas vezes no ferro e perdeu mais dois ou três golos cantados.

A vitória no Restelo premiou, por isso, a melhor exibição do Benfica em todas as deslocações desta época, provando que a fadiga nem sempre é um problema irresolúvel e que desde que se saiba para onde se deve correr, toda a gente parece bem mais veloz. A questão é que, dos três grandes, este Benfica é aquele que tem o modelo de jogo mais consolidado. E isso sucede mesmo tendo em conta que ali falta Jonas (lesionado) e que, se Cervi compõe bem a ausência de Gaitán, com a sua rapidez na esquerda, ninguém traz à equipa os esticões que lhe dava Renato Sanches. Rui Vitória teve, por isso, que recompor algumas coisas. Manteve dois laterais muito ofensivos, a darem largura, Fejsa como pêndulo ao meio, mas beneficia agora da inteligência de Pizzi, que dá mais consistência à equipa no corredor central (andava toda a gente a exagerar com André Horta, não vos parece?). E, não garantindo a qualidade ofensiva e os golos de Jonas, a capacidade de trabalho de Gonçalo Guedes permite defender muito melhor e desde muito mais à frente no campo.

Para os jogos contra a maioria das equipas da Liga portuguesa, chega perfeitamente. Saber se chegará para a próxima deslocação, ao Dragão, em inícios de Novembro, é a questão da qual depende o futuro deste campeonato.