Último Passe 

2015-09-07
Vitória da organização dá tempo a busca da inspiração

A seleção nacional deu um passo gigante rumo à fase final do Europeu, da qual só um cataclismo matemático pode privá-la, ao vencer a Albânia por 1-0 em Elbasan, com um golo no tempo de compensação, tal como ja lhe sucedera em Copenhaga na visita à Dinamarca. Este triunfo frente a uma Albânia que é fácil menosprezar mas que ainda não perdera uma única vez nesta qualificação, foi justo e nasceu sobretudo de uma superior organização face aos jogos anteriores. Mas não quer dizer que está equipa esteja pronta para o objetivo ditado por Fernando Santos (a vitória no Europeu): para isso era preciso criar condições para que Ronaldo surja a grande nível.
No final, o que Santos destacou no jogo de Ronaldo foi "o espírito de sacrificio" e o passe que deixou Eliseu frente ao guarda-redes, para um chapéu que não deu golo por milímetros. Mas limitar Ronaldo a um papel de sacrifício em prol da equipa, a um jogo muito passado de costas para a baliza, entre os centrais, parece ser uma má ideia. Até porque muitas vezes a sua ação veio criar situações de finalização a homens que não as aproveitam tão bem como ele. 
De qualquer modo, uma coisa é certa. É bem melhor tê-lo ali do que a funcionar à base do livre-arbítrio que deu na anarquia tática que se viu contra a França. O golo de Veloso veio premiar sobretudo aquilo que a equipa cresceu em organização e definição táctica. Com dois extremos que ficavam no seu corredor quando tocava a defender - e a jogarem de "pé trocado", de modo a favorecer os movimentos para o corredor central, os médios perceberam o que se lhes pedia e, com exceção dos últimos 20 ou 25 minutos, quando se viu uma Albânia mais entusiasmada e um meio-campo português já fatigado, não permitiram o aparecimento entre linhas dos médios albaneses.
Até aí, Portugal tinha sido melhor no jogo e só lhe faltava o golo de Ronaldo para se colocar em vantagem. Depois, quando o medo de perder e o compromisso com o empate (que não era tão mau assim para as duas equipas) valeu muito menos que a vontade de ganhar, o jogo acelerou e as duas equipas podiam ter feito golos. Fez Portugal, num cabeceamento de Veloso a mais um canto de Quaresma, outra vez o desbloqueador da partida. E estes três pontos podem servir a Fernando Santos para ganhar tempo na busca da resposta à questão que pode permitir à equipa dar o grande salto de qualidade. O que fazer com Ronaldo?