Último Passe 

2016-10-02
Duas carambolas antes do passeio

Duas carambolas felizes transformaram o que corria riscos de se tornar um jogo difícil num passeio agradável para o Benfica. Os encarnados ganharam por 4-0 ao Feirense e já seguem com três pontos de avanço sobre os rivais, isolados na liderança do campeonato e indiferentes à onda de lesões que lhes roubou vários titulares nestes primeiros meses de competição. O resultado amplo encerrou também quaisquer questões que a derrota de Nápoles pudesse levantar: aos quatro golos da Champions, respondeu a equipa de Rui Vitória com mais quatro na Liga portuguesa.

E no entanto o jogo começou por não se apresentar fácil para os encarnados. Rui Vitória chamou ao onze Ederson e Luisão, por troca com Júlio César e Lisandro, promovendo ainda os regressos de Salvio e Gonçalo Guedes, que em Itália tinham sido sacrificados à estratégia. Pizzi apareceu a jogar pelo meio, devido à ausência de André Horta por lesão, mas os primeiros momentos do jogo mostravam na mesma um Benfica com dificuldades para se opor ao jogo apoiado do adversário. O tricampeão nacional tinha muito mais bola, sim, criava até perigo sempre que chegava à frente em cantos ou livres laterais – a influência de Luisão cresce nesses momentos e faz-se notar – mas ao mesmo tempo o Feirense conseguia chegar à frente em boas condições, quase sempre em contra-ataque, bem ao estilo das equipas de José Mota.

O primeiro golo do Benfica, marcado na própria baliza por Luís Aurélio, aos 35’, no seguimento de um lançamento lateral longo, de Salvio, no qual mais ninguém tocou antes do desvio no sentido errado, veio premiar o maior volume de jogo dos encarnados, mas não uma boa exibição. Longe disso. Consciente de que o jogo não estava resolvido, Rui Vitória terá pedido mais aos jogadores durante o intervalo, o que se refletiu num Benfica mais pressionante e intenso na entrada da segunda parte. Foi, ainda assim, noutra carambola feliz que a equipa da casa chegou aos 2-0, aos 61’: o alívio de Ícaro encontrou Salvio pelo caminho e o ressalto tomou a direção da baliza de Peçanha, que estaria à espera de tudo menos daquilo.

E aí, de facto, o jogo mudou. O Feirense deixou de acreditar na possibilidade de levar pontos para casa e o Benfica começou a articular belas jogadas de ataque, como a que lhe deu o 3-0, por exemplo: movimentação coletiva a libertar Semedo na direita e cruzamento deste para o cabeceamento de Cervi, que quatro minutos antes entrara para o lugar de Carrillo. Com o jogo ganho, ao Benfica faltava somar mais um golo para se isolar também na lista dos melhores ataques do campeonato. Depois de várias ocasiões, acabou por fazê-lo no último minuto de compensação, num livre direto superiormente executado por Grimaldo.

Os 4-0, talvez demasiado penalizantes para um Feirense que até começou o jogo de forma personalizada, valeram ao Benfica o aumento da vantagem para os perseguidores na classificação, a manutenção da melhor defesa (quatro golos sofridos, tantos como o FC Porto) e o regresso ao comando dos ataques (com 17 golos marcados, mais um do que o Sporting). Quando o campeonato segue para uma interrupção de três semanas antes da deslocação ao Restelo, na qual Rui Vitória já deverá ter vários dos lesionados, eis vários motivos para a equipa encarar o que aí vem com otimismo.