Último Passe 

2016-09-27
FC Porto derrotado por falta de convicção

Não foi convincente o discurso de Nuno Espírito Santo na sequência da derrota do FC Porto em Leicester. Não é uma anormalidade perder por 1-0 no relvado do campeão inglês, mais a mais quando o FC Porto nunca tinha ganho em Inglaterra, e apesar de entrar na terceira jornada com apenas um ponto este nem sequer é o início de Champions do qual seja impossível recuperar, tendo em conta que aí vêm os dois jogos com o acessível Brugge, dos quais em condições normais os dragões retirarão o pleno de pontos. Mas ao treinador cabe perceber que o problema não foi a equipa não ter sido “mandona”, ter-lhe faltado “confiança” ou “eficácia” ou ainda ter sido pouco “madura”. O problema é que essa tem sido uma avalição recorrente e nasce da demora da equipa a assimilar princípios de jogo atacante.

Objetivamente, mesmo tendo em conta que esta foi apenas a quarta vitória em dez jogos para o Leicester desta época, o FC Porto perdeu um jogo com normalidade. Fez uma primeira parte fraca, na qual um erro de Marcano e Felipe deu a Slimani o único golo do jogo: o espanhol estava mal posicionado no momento do cruzamento de Mahrez e o brasileiro permitiu que o ex-avançado do Sporting se lhe antecipasse no ataque à bola, que pelo caminho já tinha passado por Vardy. Depois, a perder, com Herrera, Corona e Jota, o FC Porto melhorou, é verdade. E isso, o facto de a equipa acabar quase sempre bem os seus jogos, quando o treinador recorre às alternativas, também devia ser motivo de reflexão. Se Nuno se queixa de falta de maturidade, por que não joga Herrera? Se se queixa de falta de eficácia e de golo, porque estão de fora jogadores que têm golo nas botas, como Corona – oito golos na época passada – ou Jota – que fez 14 no Paços de Ferreira?

O extremo mexicano ainda meteu uma bola no poste da baliza de Schmeichel, já perto do fim, e esse lance, a somar a uma tentativa de chapéu de André Silva que saiu ao lado, logo no início da partida, foi um oásis em mais uma noite de pouca produção atacante da equipa portista. O Leicester também não fez muito mais, é verdade. Mas estranho será olharmos para os dois onzes, ou para os dois plantéis, e de repente acharmos que os ingleses tinham jogadores internacionalmente mais experientes, com mais capacidade para serem mandões ou, face ao terrível início de época que estão a viver, mais confiantes. A questão é que ao FC Porto falta ainda assimilar um plano de jogo em posse. O Leicester também o não tem? Mas o Leicester joga simples e grosso e nem quer saber disso. Ao FC Porto não tem faltado confiança, eficácia ou maturidade. Falta-lhe convicção.