Último Passe 

2016-09-24
Quando lhe faltam peças, a máquina pára a bola

Rui Vitória lembrou esta semana que a máquina do Benfica anda a trabalhar sem várias peças, que espera recuperar em Outubro, mas a verdade é que mesmo sem elas a equipa continua isolada na frente do campeonato. E isso deve-se muito a tardes como a de hoje, nas quais a máquina mostra eficácia máxima nas bolas paradas. De visita a um Chaves tão competente como o seu treinador, Jorge Simão, o Benfica obteve uma complicada vitória por 2-0, graças a mais dois golos nascidos nas bolas paradas: livre lateral de Grimaldo para um ligeiro desvio de Mitroglou, a 20’ do fim, e livre direto do mesmo Grimaldo à barreira, para a rcarga de Pizzi, aos 84’.

Esta tem sido, aliás, a receita que o Benfica tem aplicado neste início de campeonato sem asa tais peças que lhe confiram maior qualidade: marcou de bola parada em todas as deslocações, sendo que em duas delas (Nacional e agora Chaves) foi mesmo assim que se adiantou no marcador. Aliás, no jogo de hoje, foi sempre de bola parada que mais ameaçou a baliza de António Filipe: mesmo com dificuldades para evitar que os três médios do Chaves (Assis, Battaglia e Braga) se superiorizassem no corredor central a André Horta e Fejsa, dessa forma gerando várias situações prometedoras que os flavienses desperdiçavam por falta de qualidade no último passe, o Benfica foi tendo as melhores ocasiões de golo até à ponta final da primeira parte. Mitroglou obrigou António Filipe a defesa apertada na ressaca a um livre, logo aos 17’, e Lisandro, na sequência de um canto da esquerda, voltou a cheirar o golo, aos 20’.

Não era, porém, um Benfica consistente. As triangulações do Chaves libertavam quase sempre alguém para cruzar – porque Pizzi e Salvio eram muitas vezes chamados a tentar equilibrar ao meio em transição defensiva –, fossem Fábio Martins ou Nelson Lenho na esquerda ou o sempre ofensivo Paulinho à direita. E na sequência de um desses lances, a equipa da casa perdeu por três vezes o golo inaugural, aos 41’: Braga e Fábio Martins acertaram ambos no mesmo poste da baliza de Ederson, tendo depois Rafael Lopes feito a recarga de baliza escancarada ao lado. O Chaves, porém, voltou menos forte para a segunda parte e o jogo entrou num impasse até ao momento em que Mitroglou fez o 1-0, aparecendo no fim de um livre de Grimaldo que nascera de uma falta cometida por João Mário, a seta que Jorge Simão lançara na esquerda para voltar a aparecer nos metros finais do campo. Saiu-lhe mal a receita.

A ganhar, o Benfica passou a sentir-se mais à vontade. Simão ainda tentou virar o jogo, chamando a ele Vukcevic para apoiar Rafael Lopes, mas Rui Vitória fechou a partida chamando Cellis para o lado de Fejsa, passando a poder explorar o espaço no meio-campo ofensivo como nunca conseguira até aí. Foi, ainda assim, noutra bola parada que fez o golo da tranquilidade, aos 84’: o livre de Grimaldo, quase em cima da linha de área, bateu na barreira, mas Pizzi estava na meia-lua à espera disso mesmo e teve todo o tempo para colocar a bola rasteira junto ao poste da baliza de António Filipe. Estava definida a atribuição dos pontos e a primeira derrota do Chaves neste campeonato, bem como o regresso do Benfica à liderança. Quando ainda está à espera de peças.