Último Passe 

2016-09-23
Brilho de Otávio a pedir mais da equipa

A qualidade individual de Otávio e a movimentação sempre inteligente de André Silva, hoje bem complementado por Adrián López, permitiram ao FC Porto ultrapassar o obstáculo constituído por um Boavista que nunca mostrou grande futebol mas teve a capacidade para manter o resultado em aberto até aos últimos minutos. O 3-1, marcado a quatro minutos do fim, quando os axadrezados apostavam num jogo partido, com bola cá-bola lá, permitiu a justa atribuição dos três pontos à equipa de Nuno Espírito Santo, mas a demora no golo da tranquilidade e uma segunda parte muito desinspirada dos dragões não afastaram as nuvens negras do horizonte antes da visita a Leicester, em importante desafio da Liga dos Campeões marcado para terça-feira.

Nuno Espírito Santo apostou num 4x4x2 com maior preenchimento do corredor central, pois nele não entraram extremos: a largura era dada pelos dois defesas-laterais e pelas saídas da área dos dois pontas-de-lança, os móveis André Silva e Adrián López, que substituiu o belga Depoitre, nulo no jogo de Tondela. Adrián procurava muito a esquerda, dessa forma compensando as constantes diagonais de Otávio para o meio, nas quais o jovem brasileiro se mostrava o melhor portista na difícil arte de queimar linhas com bola. E isso tornou-se tanto mais importante quanto o início de jogo foi complicado para a equipa da casa, uma vez que o Boavista marcou na primeira vez que chegou perto da baliza de Casillas, logo aos 5’: livre de Fábio Espinho e cabeça de Nuno Henrique para o 0-1.

A ganhar desde tão cedo, não se percebeu bem se o Boavista trazia algum plano de jogo a não ser o de impedir os ataques portistas. A equipa de Sánchez juntava linhas perto da área, mostrava um Idris em momento pujante, mas raramente conseguia ligar-se aos jogadores da frente – só Bukia se mostrou, em noite anónima de Iuri Medeiros e Digas. O FC Porto, com Oliver mais atrás do que o habitual e André André a procurar também o corredor central a partir da direita, só entrava na organização defensiva adversária em bolas paradas – dois quase-golos de Danilo, ainda na primeira parte – ou nas tais arrancadas de Otávio. Foi o jovem brasileiro quem descobriu André Silva para o golo do empate, aos 19’, e foi ainda ele quem, numa mudança de velocidade, forçou uma falta de Nuno Henrique junto à linha de fundo. No penalti correspondente, André Silva bisou e colocou o FC Porto na frente do marcador, ainda antes do intervalo.

Foi aquilo de que o FC Porto precisou para baixar o ritmo do jogo numa segunda parte que foi correndo mais sonolenta. Foi interessante a entrada de Diogo Jota para o lugar de Adrián, pois permitiu ao jovem português mostrar a rapidez de processos e o descaramento para finalizar que lhe permitirão voar alto, mas o jogo estava por essa altura mais dividido do que seria de supor. Com Schembri em vez de Iuri Medeiros e a subida de rendimento de Fábio Espinho, o Boavista foi ganhando chegada à frente e, mesmo sem ocasiões claras de golo, manteve o suspense no resultado até ao minuto 86, quando um cruzamento de Alex Telles acabou no fundo das redes, fruto de uma intervenção desastrada do guardião Agaev. Estava resolvido o jogo e os dragões podiam finalmente pensar na Champions. Se é que não era já por lá que tinham a cabeça antes disso.