Último Passe 

2015-09-04
A solução que Fernando Santos procura mas não encontrou

A derrota (0-1) no teste com a França não deixou as melhores indicações à seleção nacional. No final, porém, o selecionador fez uma boa leitura dos acontecimentos, ao reconhecer que faltou mais presença na área. Fernando Santos afirmou que ela seria obtida se os médios subissem mais, o que é evidente, mas também que crê na articulação de um 4x3x3 em que as três peças da frente se movem de acordo com o que decide uma delas. Ora, como diz aquela menina no anúncio dos iogurtes, "nisso, eu já não acredito".

Portugal voltou ao 4x3x3, abdicando das experiências que vinham sendo feitas em torno de um 4x4x2 de difícil interpretação que se destinava a compensar a falta de um ponta-de-lança de grande qualidade e a encontrar forma de enquadrar Ronaldo ao meio sem o abandonar ao adversário como ponta-de-lança único. Em 4x3x3, no entanto, voltaram os problemas que se viam antes.
Defensivamente, a saída constante de Ronaldo do corredor que lhe é destinado deixa o lateral desse lado em permanente inferioridade sempre que o adversário roda a bola e sai por ali: com a França, Adrien foi sempre a ajuda de Eliseu, o que pode explicar que não tenha aparecido com tanta frequência na frente, em apoio ao ponta-de-lança.
Ofensivamente, num sistema em que Ronaldo escolhe a cada momento o seu corredor e Nani e Éder têm de perceber e ocupar os outros dois, a questão que se coloca é a da criação de rotinas que permita a coordenação efetiva dos três homens da frente. Neste jogo repetiram-se às situações em que apareceram dois deles no mesmo corredor, abandonando o terceiro a uma imensidão de espaço, sem esperança de sucesso.
Esta é uma questão para a qual não há resposta evidente. Fernando Santos tem o mérito de andar à procura da solução. Ainda que, enquanto não a encontrar, Portugal esteja condenado a ser uma equipa de fraco potencial atacante, que nos jogos contra adversários a sério dependerá demasiado do contra-ataque, das bolas paradas ou da momentânea inspiração de um ou outro jogador para fazer golos. E isso não é aceitável numa equipa que tem tanta gente de qualidade do meio-campo para a frente.