Último Passe 

2016-09-18
Sporting sem gás para navegar no Rio Ave

Quarenta e cinco minutos calamitosos, ao nível apenas do que se tinha visto ao Sporting de Jorge Jesus na Albânia, frente ao Skenderbeu, na época passada, custaram aos leões uma desvantagem de três golos ao intervalo frente a um Rio Ave competente, organizado e inteligente a aproveitar as debilidades do adversário e impediram o líder do campeonato de pontuar em Vila do Conde. O 3-1 final, nascido da incapacidade leonina para pressionar e para fechar o flanco esquerdo face à velocidade de Gil Dias, foi um banho de humildade para Jesus, que fechara a semana com declarações de peito cheio mas teve depois um encontro imediato com uma realidade mais sombria do que ele a pintou: este Sporting não é ainda a equipa que pode ser.

A derrota, que deixa o Sporting à mercê do que fizerem Benfica e Sp. Braga no encerramento da quinta jornada da Liga – se algum dos dois ganhar na Luz isola-se na frente – foi justíssima, por mais que tenha surpreendido a exibição pouco intensa e rigorosa da equipa lisboeta. Jesus sacrificou quatro titulares do Santiago Bernabéu – Bas Dost, Bryan Ruiz, João Pereira e Zeegelaar – apostando em André e Alan Ruiz para a frente de ataque e em Campbell para atacar na esquerda, à frente de Bruno César, que voltou a ser defesa-lateral. Do outro lado, Nuno Capucho optou por um 4x3x3 que metia o móvel Guedes em cunha na frente e abria o veloz Gil Dias na direita. E foi aí que começaram os problemas do Sporting: desde cedo se viu que Campbell não defendia e que, lançado nas costas de Bruno César, Gil Dias ganhava sempre em velocidade e abria uma avenida naquele lado. A ajudar à festa vila-condense, ninguém fazia a pressão que notabilizou Slimani: nem André nem Alan Ruiz se preocupavam em atrapalhar a construção de jogo do Rio Ave, como se viu, aliás, no lance do primeiro golo, em que o defesa-central Roderick avançou desde o seu meio-campo até à linha de fundo para ali descobrir Tarantini, que não perdoou.

O golo surgiu, é verdade, num momento em que, passado o primeiro embate, o Sporting até já tinha conseguido equilibrar o jogo. André até tinha desperdiçado uma boa ocasião de desfeitear Cássio, permitindo, aos 22’, que este fizesse a mancha depois de um bom passe de Coates. Sete minutos depois, porém, Tarantini inaugurou o marcador. E outros sete minutos volvidos, aos 36’, Gil Dias teve no corredor central espaço para arrancar, correr umas dezenas de metros e solicitar a desmarcação circular de Guedes, que isolado ante Rui Patrício lhe meteu a bola no poste mais próximo. O 2-0 não resistiu muito tempo: foram mais sete minutos. Aos 43’, antes da saída para o intervalo, Gil Dias lançou Guedes na direita, este ganhou a linha de fundo e cruzou para o segundo poste, onde o mesmo Gil Dias tornava o jogo uma missão impossível para os leões.

Ao intervalo, Jesus chamou a sua artilharia pesada: Bas Dost e Bryan Ruiz substituíram os desastrados Alan Ruiz e Campbell, mas, mesmo não tendo o Rio Ave voltado a beneficiar de situações de golo, a verdade é que a produção atacante do Sporting nunca atingiu o nível a que a equipa habituou os seus adeptos. Dost, de cabeça, aos 51’, e sobretudo Ruiz, de frente para a baliza, aos 62’, perderam as melhores oportunidades para relançar o jogo, o que levou Capucho a puxar os seus um pouco para trás, com as entradas de Pedro Moreira e João Novais. Quando chegou o golo leonino, marcado por Dost aos 82’, após assistência corajosa de Gelson (ainda assim, juntamente com Adrien um dos melhores do Sporting), já não havia tempo para pensar em pontos. Depois da derrota injusta do Santiago Bernabéu, o Sporting levou de Vila do Conde uma lição de humildade que não deve esquecer tão cedo e a certeza de que esta equipa ainda precisa de muito trabalho para igualar a da época passada.