Último Passe 

2016-09-13
Talisca castiga quebra de Benfica sem avançados

Um livre de Talisca, já em período de compensações, custou ao Benfica dois pontos na estreia na Liga dos Campeões desta temporada. O empate a uma bola, nascido de várias mudanças táticas operadas pela equipa do Besiktas na segunda parte, acaba por punir a quebra dos campeões nacionais nesse mesmo período, depois de em 45 minutos de clara superioridade não ter feito mais de um golo, obra de Cervi. O facto de ter jogado sem as primeiras escolhas no ataque – Jonas, Mitroglou, Jiménez e Rafa estão todos lesionados – acabou por custar caro a Rui Vitória.

O Benfica entrou com uma dupla de ataque improvável, formada por Cervi e Gonçalo Guedes, com o primeiro, mais forte em ataque rápido, a jogar nas costas do segundo, que não fazia nada tão bem como a pressão à saída de bola do adversário. A consequência da aliança desta dupla com a excelente exibição de Fejsa e André Horta, os dois médios-centro encarnados, foi o bloqueio total de uma equipa do Besiktas disposta em 4x2x3x1, mas com os dois extremos muito abertos – Quaresma na direita – e Ozyakup perdido no meio das linhas encarnadas no apoio a um isolado Aboubakar. O jogo, no primeiro tempo, tornou-se muito repetitivo: tentativa frustrada de organização ofensiva do Besiktas, bola recuperada pelo meio-campo do Benfica e saída rápida para o ataque. O golo, logo aos 12’, nasceu de um excelente passe de Horta, a rasgar, até encontrar uma diagonal de Salvio da direita para a esquerda. De pé esquerdo, o argentino chutou, o guarda-redes largou a bola e Cervi foi mais rápido que Tosic na reação, fazendo a recarga vitoriosa.

A ganhar desde cedo, o Benfica serenou e teve mesmo duas situações de contra-ataque em superioridade numérica que, por erros no passe, não levou sequer até a finalização. Só que aquele Besiktas facilmente manietável da primeira parte voltou diferente para a segunda. Com Talisca em vez de Ozyakup, com Quaresma mais por dentro e Adriano a subir de lateral para extremo-esquerdo, surgindo também mais no corredor central, os turcos subiram de produção. Mais tarde, com a entrada de Tosun para ponta-de-lança e as aproximações de Aboubakar, a equipa de Senol Günes começou mesmo a criar lances de golo: Tosun perdeu um lance na cara de Ederson e este tirou com uma excelente defesa o empate a Marcelo, na sequência de um livre. Nessa altura já o Benfica trocara Cervi por Samaris, numa tentativa provavelmente prematura de encerrar o jogo, fechando a porta ao adversário – talvez se aconselhasse mais nessa altura um ganho de qualidade na frente, com Carrillo, por exemplo.

É verdade que mesmo assim Gonçalo Guedes teve nos pés o 2-0. O improvisado ponta-de-lança benfiquista ganhou a bola a Quaresma, que foi fugindo a sucessivos desarmes desde o meio-campo até ser batido à entrada da área, mas depois, isolado frente a Tolga Zengin, não evitou que o guarda-redes turco desviasse o remate com o pé. Esse acabou por ser o lance decisivo do jogo. Antes do final, o Benfica ainda substituiu Fejsa por Celis. E já tinha José Gomes na linha lateral, pronto para entrar e para se tornar o mais jovem de sempre a jogar pelo clube nas provas europeias, quando o médio colombiano meteu a mão a uma bola a uns seis ou sete metros da linha de área. Talisca apontou logo para o peito, a assumir que ia ser ele a bater o livre. E fê-lo de modo imparável, festejando efusivamente o golo que valeu o empate à sua nova equipa frente à que o emprestou.