Último Passe 

2016-09-10
Gelson a brilhar com reforços a aprender

A vitória fácil do Sporting frente ao Moreirense, em Alvalade, por 3-0, permitiu aos reforços Campbell e Bas Dost estrearem-se a marcar com a camisola leonina, deu para a substituição antecipada de Adrien, de forma ao capitão poder ser aplaudido de pé pelos adeptos, mas serviu acima de tudo para mostrar que Gelson está um homem. A jogar pela direita de um ataque onde era o único jogador com mais de um par de meses a trabalhar com Jorge Jesus, o jovem Gelson era o único a conhecer de cor as movimentações que o treinador tanto preza e serviu-se desse conhecimento e da sua indiscutível qualidade para se cotar como melhor jogador em campo. Com tanta gente a chegar para o ataque leonino, uma coisa é certa: não vai ser fácil tirar o lugar ao miúdo.

A influência de Gelson no jogo ofensivo do Sporting foi mais visível na primeira parte, um período onde o fantasma de Slimani pairou sobre Alvalade. Bas Dost é um finalizador por excelência, mas nem dá à equipa a busca permanente da profundidade ou dos corredores laterais a que esta estava habituada com o argelino, nem teve ainda o tempo suficiente de treino com os colegas para os compreender e para que estes o compreendam a ele. A jogar pela esquerda, Campbell mostrou velocidade e repentismo, mas não é o jogador cerebral que é Bryan Ruiz, provavelmente poupado a pensar em Madrid. O resultado da soma dos dois a um Alan Ruiz que também não estava a atravessar uma tarde-sim foi um início de partida em que o Sporting dominava territorialmente mas onde tinha dificuldades para criar lances de golo iminente. Com um Dramé motivado pelo regresso a Alvalade, o Moreirense tinha menos bola mas dava a ideia de poder surpreender caso o 0-0 se prolongasse por muito mais tempo.

Só que aí entrou em ação Gelson. Numa diagonal da direita para o corredor central, o extremo apareceu no fim de um excelente passe de William e inaugurou o marcador. O golo, aliado à expulsão de Neto, poucos minutos depois, podia ter entusiasmado os leões, mas o que aconteceu foi precisamente o contrário: a equipa adormeceu face à facilidade que antevia. E só depois de ouvir das boas ao intervalo resolveu definitivamente o jogo. Entrando na segunda parte com mais intensidade, fez dois golos rápidos e viu o guardião Mackaridze impedir mais dois. Campbell fez o 2-0, de cabeça, após cruzamento de Alan Ruiz, e Bas Dost fechou a conta com um remate feito quando estava já sentado no chão, depois de ter falhado a entrada à bola cruzada por Schelotto e aproveitado o ressalto num adversário. Jesus aproveitou então para promover mais duas estreias e um regresso, mas a equipa voltou a perder concentração e as entradas de Markovic, Elias e André não lhe trouxeram nada de novo em termos de foco e qualidade, a ponto de Rui Patrício ainda ter tido que se empenhar para manter o zero na sua baliza.

A altura era tanto de celebrar a continuação da liderança isolada no campeonato, com pleno de vitórias, como de pensar no jogo de quarta-feira em Madrid, frente ao Real, na estreia na Liga dos Campeões. E para esse Jesus bem gostaria de ter mais algum tempo de treino para ensinar o seu futebol a todos estes reforços – é que sem ele quase mais vale pensar em enfrentar o Bernabéu com jogadores que sabem ao que jogam.