Último Passe 

2016-09-09
O Benfica de Rafa à espera da certeza de Jonas

A profundidade do plantel do Benfica ficou à vista na qualidade da exibição que a equipa fez na primeira parte da vitória em Arouca (2-1), período onde um melhor aproveitamento das várias ocasiões de golo desperdiçadas teria chegado para construir um resultado confortável. Aí, suspirou-se por Jonas. O facto de ter entrado com um onze experimental, face à ausência das que têm sido as suas três primeiras escolhas para a frente de ataque, ajuda melhor a explicar a incerteza no resultado até final e até a perda momentânea do controlo do jogo no segundo tempo. A justiça da vitória é validada pela noção de que mesmo nessa altura foi o tricampeão nacional quem mais perto esteve do golo.

Sem Jonas, Jiménez e Mitroglou, Rui Vitória teve de inventar um ataque. E a contratação de Rafa já começou a dar frutos. Que o avançado chegado de Braga não é perito na finalização até os adeptos benfiquistas o sabiam pelo menos desde a Supertaça. Que ele é capaz de desequilibrar qualquer defesa também se sabe: foi por isso, aliás, que o Benfica pagou mais de 16 milhões de euros por ele. Combinar a mobilidade de Gonçalo Guedes com a velocidade e a noção de espaço de Rafa e a inteligência de Pizzi foi o que bastou para o Benfica entrar várias vezes na organização defensiva de um Arouca que não conseguia pegar na bola para responder. O golo feito por Nelson Semedo pode até ter sido fruto da sorte num ressalto, após um corte mal efetuado, mas tanto antes como depois, o Benfica teve várias oportunidades para construir logo ali um resultado folgado.
O segundo golo do Benfica, a provar a importância que Lisandro pode vir a ter nas bolas paradas ofensivas - já tinha marcado em Tondela e repetiu a graça agora, após canto de Grimaldo - parecia ter acabado de vez com o jogo. O Arouca tinha voltado melhor para a segunda parte, mas tornava-se difícil reagir ao golpe que é sofrer o 2-0 ante um adversário mais forte. Com a entrada de Walter Gonzalez, colocado à esquerda do ataque, Lito Vidigal ganhou mais agressividade e qualidade na frente e reabriu mesmo a questão do resultado, graças a um belo cabeceamento do argentino, nas costas de Nelson Semedo. 
A lesão de Rafa, logo a seguir, tornou o jogo complicado para o Benfica. No lugar do ex-bracarense, Carrillo não deu a mesma constância ao Benfica: a movimentação do peruano era mais previsível e mais facilmente anulável. Só que mesmo aí sobrou ao Benfica o que faltou ao Arouca: banco. Quando precisou de refrescar, Lito recorreu ao cabo-verdiano Kuca, que não lhe trouxe nada de novo. Do outro lado, Rui Vitória chamou o grego Samaris para fechar a porta de entrada na área, o que permitiu ao Benfica voltar a mandar no jogo e estancou desde logo as hipóteses de o Arouca sonhar sequer com o empate. 
O 1-2 final, num jogo que o Benfica até perdeu no ano do tri, veio mostrar que pode haver vida para lá de Jonas numa equipa que encaixou bem Rafa. Mas não será uma vida parecida com a anterior: o Benfica de Rafa pode até produzir mais, mas não será nunca a equipa de golo-fácil que é o Benfica de Jonas. Rui Vitória tem agora pela frente um desafio que passa por pôr os dois a render no mesmo onze. Se o conseguir, sem deixar cair aquilo que lhe dão Mitroglou ou Jiménez, sobe um importante patamar.