Último Passe 

2016-09-06
Seleção volta sem saber jogar feio

A seleção nacional falhou o regresso à competição depois de ter ganho o Europeu de França. Fez uma partida fraca e um mau resultado na Suíça, de onde saiu vergada a uma derrota por 2-0 que pode complicar bastante um grupo de qualificação onde só o primeiro classificado se apura para o Mundial. Os golos suíços surgiram separados por apenas sete minutos, entre os 23' e os 30', em dois erros individuais, que até deram força ao que Fernando Santos vinha dizendo nos últimos dias: Portugal perdeu por não ter sabido jogar feio quando isso se impunha.

Na primeira parte, a Suíça não foi à baliza de Patrício vezes suficientes para justificar o 2-0 com que chegou ao intervalo. E no entanto fez os dois golos, contra zero de Portugal, fruto dos tais erros. No primeiro, o livre de Rodriguez seguiu em curva, mas nem a defesa de Patrício foi perfeita (para a frente) nem a reação de Cédric foi boa: olhou só para a bola e perdeu a referência de Embolo, que chegou à recarga mais depressa. No segundo, a desorientação foi maior: William e Moutinho permitiram que Mehmedi saísse com bola de uma situação de inferioridade numérica e lançasse na esquerda, de onde Seferovic fez uma devolução que, outra vez, William e Moutinho não impediram se tornasse em concretização fácil por parte do mesmo Mehmedi. 
Os dois golos sublinharam a falha de Portugal naquilo que vinha sendo a especialidade desta seleção (o jogo de concentração defensiva, o anular das armas do adversário a que se tem chamado "feio") e punham fim a uma entrada forte da seleção. Até aos 20 minutos, altura em que baixou a intensidade de jogo, o meio-campo de Portugal tinha mandado no jogo, com jogo de posse bem conseguido e permanente disponibilização dos dois laterais. Éder e Bernardo Silva já tinham estado perto do golo, mas o 2-0 mudava tudo. Prevendo (e bem) que o adversário recuaria, Fernando Santos apostou num jogador de área (André Silva) e num médio mais dado ao jogo criativo (João Mário), em vez de Éder (que precisa de mais espaço) e William. A equipa passou para um 4x4x2 que lhe assegurou, outra vez, o domínio do campo, perante uma Suíça muito recuada, mas sofria para criar situações claras de golo. Havia sempre muitas pernas entre o remate e a baliza.
Só a entrada de Quaresma forneceu à seleção capacidade para criar os necessários desequilíbrios na faixa lateral que, seguidos de cruzamento, permitiam finalizações em situações flagrantes. O extremo do Besiktas deu a Nani uma bola de golo, mas o cabeceamento deste não saiu bem e acertou no poste. Morria ali a última hipótese de Portugal pontuar no seu jogo de arranque e complicava-se o panorama da qualificação. Falta ver o que fará esta Suíça, mas o caminho não se afigura tão fácil como acabou por ser o da recuperação após a falsa partida no apuramento do Europeu de 2016.