Último Passe 

2016-08-27
Vitória normal do talento com alguma falta de cabeça

O superior talento de Jimenez e Salvio, na noite de regresso de Jonas à competição, valeu ao Benfica uma merecida vitória na Choupana, por 3-1, sobre uma equipa do Nacional que teve muitas vezes a cabeça fora do lugar: aconteceu a Aly Ghazal nos primeiros dois golos dos benfiquistas e na gestão da equipa feita por Manuel Machado, que levou os madeirenses a acabar com dez homens, por lesão do egípcio. Com o resultado, Rui Vitória já pode assim olhar para o Sporting-FC Porto de domingo com a certeza de que sairá sempre a ganhar, seja qual for o resultado.

A expectativa na equipa benfiquista era grande, sobretudo devido ao regresso antecipado de Jonas, após a intervenção cirúrgica a que foi submetido. Com Jonas, já se sabe, o coletivo de Rui Vitória ganha poder de finalização e capacidade para ligar o jogo nos últimos 30 metros, mas a verdade é que o brasileiro não foi tão influente assim e perdeu as ocasiões que teve para marcar, o que obrigou o Benfica a recorrer a outras fontes de talento para ganhar os três pontos. Salvio confirmou as indicações que tinha dado frente ao V. Setúbal e abriu avenidas no lado direito do ataque, mas quem melhor apareceu foi mesmo Jiménez. O mexicano fez a diferença em relação às noites mais apáticas que o grego Mitroglou vinha assinando, movendo-se sempre com inteligência, como se viu nos lances do segundo e do terceiro golos do Benfica: no segundo, foi ele quem lançou Salvio para o passe de morte que deu o 1-2 a Carrillo; no terceiro, adivinhou a dificuldade de Washington, médio adaptado a central, para ser último homem, pressionou-o, ganhou-lhe a bola e marcou na cara do desamparado guarda-redes.
Por essa altura já se notava a falta de cabeça do Nacional, que acabou o jogo com dez homens, fruto da lesão de Aly Ghazal e do posterior esgotar das substituições por parte de Manuel Machado, que mesmo assim manteve o egípcio em campo quando quis reforçar o ataque. Ghazal, aliás, teve uma noite infeliz. Foi ele quem fez o primeiro golo do Benfica, deixando que um livre de Pizzi, que o guardião Rui Silva devia ter afastado, lhe batesse na cabeça e seguisse para a baliza deserta. Depois, já Tobias Figueiredo tinha empatado, de cabeça, após um canto de Agra, quando surgiu o tal lance de Jimenez e Salvio, no qual Carrillo desempatou. Ao tentar desfazer o cruzamento de Salvio, Ghazal bateu violentamente com a cabeça no relvado, o que veio a impossibilitar que ficasse em campo até final. E foi quando Manuel Machado já tinha dois avançados em campo que o capitão teve de sair de maca: Washington recuou para a linha defensiva, ainda tirou um golo cantado a Jimenez, com um corte sobre a linha de baliza, mas permitiu depois, já em período de compensação, que o mexicano lhe roubasse a bola para fazer esse mesmo terceiro golo, dando mais folga ao resultado.
A vitória permite ao Benfica olhar para o clássico de Alvalade com a tranquilidade de quem já fez a sua parte. E a interrupção do campeonato que aí vem, para os jogos da seleção, dará a Rui Vitória o tempo para recuperar o melhor Jonas e trabalhar a equipa com Jimenez, que depois do que fez na Choupana dificilmente perderá a vaga nos tempos mais próximos.