Último Passe 

2016-08-26
Um sorteio para cada gosto

As três equipas portuguesas na Liga dos Campeões tiveram sortes radicalmente diferentes no sorteio do Mónaco. O FC Porto teve um sorteio tão feliz que nem os mais otimistas seriam capazes de o antecipar. Pelo menos no plano desportivo. O Benfica vai estar num grupo muito aberto, no qual é favorito para fazer valer o estatuto de cabeça de série, mas não terá pêras doces pelo caminho. E ao Sporting calhou todo o azar da tarde: os duelos com o Real Madrid e o Borussia Dortmund tornam difícil pensar em mais que na Liga Europa, ao mesmo tempo que farão de Alvalade cabeça de cartaz europeu em algumas noites até ao Natal.
Depois de ter tido azar no adversário que lhe calhou no playoff (a Roma), o FC Porto beneficiou agora de toda a fortuna que lhe podia calhar numa só tarde. Primeiro, apanhou o Leicester, o mais fraco dos sete cabeças de série que podiam surgir-lhe à frente. Sim, trata-se do campeão inglês, mas foi um campeão de tal modo surpreendente que ninguém espera que volte a jogar ao nível que foi prolongando em esforço até ao fim da época passada. Terminada a Premier League, esvaziou-se o balão de adrenalina que levou a equipa até ali e, como se viu no início da atual temporada, a fábula da pizza não chegará a Ranieri para manter o rendimento dos seus jogadores lá em cima, muito acima do que eles valem na verdade. E depois do Leicester, o FC Porto ainda teve a mão amiga de Ian Rush a enviar-lhe o Bruges e o Copenhaga, duas equipas vindas de um patamar inferior e que elevam o nível de exigência dos portistas. O FC Porto não só é favorito, como poderá acabar esta fase com uns 12 pontos, que tanto ajudarão o ranking próprio e o de Portugal.
A expectativa de bons resultados poderá ser o principal fator aglutinador para levar espectadores ao Dragão, pois não será certamente o cartel dos adversários a tornar os cartazes atrativos. É quase o que sucede com o Benfica, que também não terá na Luz grandes da Europa, mas ainda assim vai enfrentar um grupo mais complicado, sobretudo tendo em conta que era cabeça de série. O Napoli é uma força ofensiva muito difícil de controlar e o Dynamo Kiev, num dia bom, pode também criar problemas aos encarnados - eliminou o FC Porto há um ano, por exemplo. Não tendo, ainda assim, tido azar nos Potes 2 e 3, onde havia alternativas muito piores, o Benfica ficará a lamentar não lhe ter calhado um docinho no Pote 4. É que até o Besiktas de Ricardo Quaresma pode ser um problema. Este vai seguramente ser um grupo aberto, onde o pleno de pontos em casa será fundamental e onde as coisas podem decidir-se com um ou dois resultados úteis como visitante. Ainda na última época o FC Porto e o Sporting empataram em Kiev e Istambul, pelo que é possível ao Benfica fazer uns 10 ou 11 pontos e até ganhar o grupo.
Quem não pode queixar-se de falta de adversarios atrativos no seu estádio é o Sporting, uma vez que por Alvalade vão passar os complicados Real Madrid e Borussia Dortmund. O Real é o campeão da Europa e favorito em todos os jogos da fase de grupos. Basta ver que nas últimas três temporadas cedeu apenas dois empates em 18 partidas nesta fase, quando visitou a Juventus e o Paris St Germain. E o Borussia Dortmund é a equipa que mais sombra faz ao Bayern na Alemanha, não tendo perdido nada da sua força ofensiva com a saída de Klopp e a entrada de Tuchel. O sucesso para o Sporting passa por fazer seis pontos contra o Legia de Varsóvia, a equipa mais fraca do grupo, ganhar ao Borussia em casa e depois esperar uma de duas coisas: ou que os alemães se distraiam na rivalidade geográfica com os polacos e deixem pontos num dos jogos com o Legia ou que seja capaz de pontuar no WestfalenStadion. Difícil, sim. Muito difícil. Mas não impossível.