Último Passe 

2016-08-21
Dois pontos a voar com Jonas a ver

O empate do Benfica, em casa, frente ao V. Setúbal (1-1) já foi comparado, por exemplo, por Raul Jiménez, com a derrota que a equipa encarnada sofreu frente ao Arouca, em Aveiro, à segunda jornada da época passada (0-1). “É seguir em frente!”, sentenciou com clarividência o atacante mexicano. Mas as razões por trás da perda de pontos de hoje são mais profundas do que o normal titubear de muitas equipas no mês de Agosto, quando os processos ainda não estão assimilados. Ao Benfica faltou aquilo que teve em abundância na época passada: boas decisões na frente e ainda melhores finalizações. Em suma, faltou Jonas.

Jonas estava na bancada, de óculos postos, a ver as dificuldades que a equipa ia sentindo para criar lances de golo. Porque mesmo tendo mais volume de jogo, os encarnados nunca conseguiram reduzir a produção ofensiva do adversário: Amaral foi uma seta apontada à baliza de Júlio César em toda a primeira parte, período no qual os sadinos chegaram a beneficiar de um lance de dois para dois em ataque rápido e o perderam por falta de qualidade na definição. Claro que o Benfica também teve as suas ocasiões, mas nada que se compare, por exemplo, ao tal jogo com o Arouca ou à avalanche que conseguira na receção anterior a este mesmo V. Setúbal, na última primavera, quando ganhou por 2-1, de virada, na Luz. E foi por ter tido as ocasiões para ainda assim ganhar o jogo – quase todas no forcing final, depois de se ver a perder – que se notou a menor qualidade na finalização.

O puzzle Jonas é o mais difícil de resolver por Rui Vitória. Se há um ano o treinador terá tido dúvidas mas ainda assim cedeu quando percebeu que o brasileiro era muito melhor como segundo ponta-de-lança do que como avançado de referência no 4x2x3x1, este ano é Mitroglou quem sente a falta das movimentações sempre inteligentes para a ala, o espaço entre-linhas ou as costas da defesa e das decisões sempre coletivamente válidas do companheiro de ataque. O grego voltou a fazer um jogo anónimo, dele só se retirando um cabeceamento, ainda na primeira parte, para excelente defesa de Bruno Varela. É pouco, como já tinha sido pouco em Tondela. Horta começou bem mas foi-se apagando face à qualidade dos dois médios-centro sadinos (Pacheco e Mikel) e acabou por ser Salvio, por um dia capitão, o melhor do Benfica.

Com o jogo no impasse, foi o Vitória quem marcou, de bola parada, por Venâncio. E aí o Benfica entrou em modo pressionante, com dois avançados declarados – Mitroglou e Jiménez – e dois extremos – Guedes e Carrillo – ainda com Salvio e Grimaldo a darem largura no ataque desde a posição de laterais. Era muita gente na frente, o que somado ao menor esclarecimento dos cada vez mais desgastados jogadores do Vitória à medida que o jogo se aproximava do fim, podia ter dado em virada do Benfica. Jiménez ainda empatou, de penalti, e Lindelof acertou na barra, na recarga a um livre de Grimaldo que Varela foi buscar junto ao poste. O Benfica deixou dois pontos no relvado onde lhe faltou, acima de tudo, a qualidade de Jonas e onde voltou a provar-se que foi a qualidade que tem na frente a fazer a diferença no campeonato anterior.