Último Passe 

2016-08-14
O Benfica e os clones de André Horta

Rui Vitória sentiu a necessidade de dizer que não anda “à procura de clones” dos jogadores que perdeu neste início de época, que cada um é aquilo que é e tem as suas próprias caraterísticas. Fê-lo após a vitória do Benfica em Tondela, por 2-0, ainda por cima minutos depois de um golaço de André Horta provar que o miúdo tem mesmo muita categoria e que não tem nada que ser o segundo Renato Sanches. Porque na verdade não tem. As equipas são organismos vivos, que crescem de acordo com o que têm. Levam é tempo a crescer, como se percebe pelo total de situações de golo que o Benfica tem permitido aos adversários que vai encontrando.

Uma coisa é certa: o Benfica está hoje muito melhor do que há um ano. Há um ano, com uma pré-época calamitosa, Vitória refreou os ímpetos de mudança, deixando a equipa numa espécie de terra de ninguém tática da qual só a emergência de Renato Sanches, somada à inegável categoria dos seus avançados, a resgatou. Agora, sem um duelo com Jesus a abrir a época, respaldado pelo sucesso que foi a última campanha – foi ele o campeão –, Vitória está a levar a equipa para terrenos que lhe agradam mais. O perfume do futebol de André Horta tem muito mais a ver com o jogar de Vitória que a pujança física de Sanches. Não se trata de dizer se é melhor ou pior: é apenas diferente. E a equipa reage a isso.

Em Tondela, sem Jonas, Vitória entrou mais próximo do 4x2x3x1, com Gonçalo Guedes atrás de Mitroglou. O jogo mal conseguido dos dois levou-o a aproximar-se ainda mais à medida que o jogo avançava: primeiro trocou Guedes com Pizzi, alimentando a equipa com a capacidade que o médio transmontano tem para fazer (bem) todos os lugares no meio-campo e ataque. Foi dele, aliás, o livre que Lisandro López aproveitou para inaugurar o marcador, minutos depois de ter entrado para o lugar do lesionado Luisão. Mas ainda que seja mais ou menos claro que a defesa benfiquista tem mais capacidade para controlar a profundidade e as bolas nas costas com o argentino do que com o brasileiro, a verdade é que apesar da troca o Tondela continuou a ameaçar chegar ao empate, perdendo várias situações de golo.

Com o resultado em risco, Rui VItória reagiu à investida final do Tondela jogando a partir dos 65 minutos com Samaris ao lado de Fejsa, Pizzi à esquerda e Horta a “10”. Foi assim, neste 4x2x3x1 mais claro, que o miúdo fez o segundo golo, num lance em que serpenteou por entre a defesa adversária antes de marcar e no qual muitos viram sombras de Rui Costa. Mas o melhor mesmo é limitarem-se a pensar nisso, sem o dizer muito alto. Porque se há algo de que Horta não precisa é de se livrar da pressão de ser clone de Renato Sanches para o compararem a um ainda maior ídolo de todos os benfiquistas.