Último Passe 

2015-08-28
A importância de Moutinho e a alienação do grupo

A substituição de Paulo Bento por Fernando Santos aos comandos da seleção nacional trouxe mudanças a vários níveis. Alterações de estilo, de modelo de jogo, mas também no que respeita à filosofia subjacente a cada convocatória. Com Paulo Bento, um pouco como com Luiz Felipe Scolari, havia um grupo mais ou menos fixo, era mais valorizado o sentimento de pertença de um jogador a esse grupo do que a sua condição a cada jogo. A continuidade, como defendia Paulo Bento, não era o critério principal de cada escolha. Com Fernando Santos isso mudou. Até hoje.
Ao decidir convocar João Moutinho (que tem estado magoado e fora das escolhas de Jardim no Monaco) para o duplo confronto com a França e a Albânia, no início do mês, Fernando Santos está a fazer muito mais que reconhecer a importância do médio algarvio na equipa nacional. Está a equipará-lo a Ronaldo, possivelmente o único outro jogador por quem esta seleção sentiria necessidade de abrir exceções.
João Moutinho é tão fundamental nas dinâmicas do meio-campo da equipa que se compreende a sua chamada. É possível que o selecionador queira usar o particular com a França para perceber se terá João Moutinho em boas condições para a deslocação a Tirana, onde a equipa poderá dar um passo decisivo rumo à qualificação. Mas é importante não alienar o resto do grupo, porque há no lote outros médios de grande capacidade que valerão mais que um João Moutinho diminuído.