Último Passe 

2016-08-07
Benfica assimila imagem de Rui Vitória

O Benfica que venceu o Sp. Braga por 3-0 e conquistou a Supertaça foi um Benfica muito diferente do que ganhou a Liga anterior. Mais do que os seis titulares de hoje que não fizeram parte do onze-base no tricampeonato, notou-se uma maneira diferente de encarar o jogo, aproximando a equipa do ideal de Rui Vitória. No melhor e no pior.

Além dos reforços André Horta e Cervi, que ocuparam as posições dos tranferidos Renato Sanches e Gaitán, Rui Vitória chamou ao jogo Júlio César, Nelson Semedo, Luisão e Grimaldo, por impedimentos de diversa ordem de Ederson, André Almeida, Jardel e Eliseu. A equipa, naturalmente, comportou-se de uma forma diferente, mesmo tendo mantido a tónica no jogo de avançados que resolvem. Foi diferente no seu período mais eufórico, quando encostou o Sp. Braga atrás, fruto de cavalgadas constantes dos dois laterais, de um jogo elétrico de Cervi e do contributo de Horta, jogador mais cerebral que Renato Sanches. E foi diferente no longo período menos feliz, em que o Sp. Braga acertou posicionamentos, controlou o meio-campo com um losango, passou a criar as melhores ocasiões de golo e ao Benfica faltaram as explosões que Sanches metia no campo, a aproveitar o espaço que nessas ocasiões sempre aparece, a convidar aos contra-ataques ou aos ataques rápidos.

Cervi não é Gaitán: é mais extremo, jogador mais linear, mas fez um grande golo e abriu o apetite para o que aí vem. E Horta não é Renato – julgo que Danilo também não o será. O Benfica 2016/17 pode assim aproximar-se mais do ideal de Rui Vitória, na procura de um jogo mais de posse e no desprezo pelo jogo de transições de que Renato se tornou expoente máximo. Vê-se a projeção dos dois laterais, observam-se triangulações constantes entre eles e os extremos, com o auxílio de Pizzi e André Horta, e acentua-se a participação de Jonas na construção que pode levar a equipa para o 4x2x3x1 e arrumar de vez com a herança de Jesus. As alternativas são muitas, mas apesar do 3-0 o teste não foi perfeito. E não necessariamente por causa das ocasiões de golo perdidas pelos bracarenses. Fico à espera de ver o que será esta equipa com Danilo e se Vitória vai manter a aposta em Luisão, tornando mais complicado o controlo da profundidade defensiva. Disso vai depender o que será o Benfica 2016/17.