Último Passe 

2015-08-26
A anatomia dos erros, alheios e próprios

A eliminação do Sporting da fase de grupos da Liga dos Campeões teve erros de muita gente. Teve erros dos árbitros, sim, nos dois jogos, quase sempre em prejuizo da equipa portuguesa, mas teve também vários erros dos jogadores e do treinador dos leões. A frustração levou muitos adeptos a centrar toda a ira nas arbitragens, mas o bom-senso manda que os responsáveis leoninos se centrem antes naquilo em que podem de facto intervir. O resto é fogo de artifício e não leva a lado nenhum.

Em Moscovo, o Sporting entrou bem, a mandar no jogo com personalidade. Foi capaz de levar a bola para o meio-campo ofensivo e, mesmo não sendo capaz de criar muitas situações de perigo, fez um golo que lhe deixava o futuro nas mãos. A segunda parte, porém, foi um somar de erros. Primeiro errou Adrien, desatento no momento de um livre lateral, que o levou a reagir tarde e a cortar a bola na direção da baliza. Depois, errou Rui Patrício, que permitiu que Doumbia chegasse primeiro à bola dividida entre os dois. De seguida, errou o árbitro, ignorando que o atacante do CSKA tinha feito o golo com o braço. E por fim errou Jesus, tardando a mexer na equipa, não lhe vendo sinais evidentes de abrandamento que se refletiram no 2-1 e aos quais só reagiu após o 3-1, tirando os apagados Aquilani e Ruiz. Tarde demais para daí tirar resultados.
No final do jogo da primeira mão, disse-me um responsável leonino que o clube não ia queixar-se formalmente do árbitro "porque a UEFA não gosta que se façam ondas". Agora, que o caldo entornou, até podem aparecer o capitão da equipa de andebol ou a mulher do presidente a fazer queixas no facebook, ou o próprio Jorge Jesus a comentar a arbitragem em conferência de imprensa. Têm razão. O problema é que não ganham nada com isso. O
Onde há realmente muito a ganhar é numa análise racional dos erros próprios. E começa a ser habitual um abaixamento dos leões quando se vêem em vantagem: aconteceu na Supertaça com o Benfica; repetiu-se em Aveiro frente ao Tondela; voltou a ver-se em Alvalade com o CSKA e o Paços de Ferreira e culminou agora em Moscovo, com a perda do grande objetivo financeiro da época. Uma perda cujas consequências ainda terão de ser avaliadas.
Francamente, interessa-me muito mais perceber as razões que estão por trás desse abaixamento do que aquelas que levaram o árbitro auxiliar a achar que o canto de Carrillo no qual Slimani fez o 2-2 que não contou tinha passado por fora do campo. E não é só por serem mais suscetíveis de prova concreta do que quaisquer alusões ao poderio económico da Rússia ou à influência da Gazprom.