Último Passe 

2016-05-17
De lesão em lesão até ao consenso final

A lesão de última hora de Bernardo Silva poupou Fernando Santos ao embaraço da escolha e permitiu-lhe uma convocatória de consensos, sem precisar de riscar nenhum dos 24 jogadores que tinham mais expectativas de ser convocados. A somar às indisponibilidades já conhecidas de Fábio Coentrão e Danny e ao regresso demasiado recente de Tiago à competição, a exclusão do médio ofensivo do Mónaco resultou numa lista muito conservadora, em que nem a faísca provocada pela chamada de Renato Sanches corre riscos de provocar celeuma. Os que estão na metade do país que não gosta do jogador – por oposição à metade que o venera – até poderão ensaiar a contestação, mas esbarrarão sempre na falta de argumentos que se sucede ao “se não fosse ele então era quem?”

Se houvesse Bernardo Silva, Fernando Santos ver-se-ia obrigado a fazer uma escolha que teria sempre algo de polémica em si. Quem ficava de fora? O próprio Renato Sanches, que pode dar à equipa as suas arrancadas com bola e a explosão a meio-campo? André Gomes, médio de fino recorte, que além do mais pode jogar a partir da meia-esquerda? O ponta-de-lança, deixando a equipa descalça numa qualquer eventualidade em que precise de meter mais peso na área? Um dos defesas-centrais, correndo o risco de, face à idade de todos eles, se ver a contas com lesões que o forçassem a fazer adaptações? Um dos atacantes com menos estatuto mas enorme potencial, como Rafa? Um dos defesas-laterais suplentes, ou até os dois, chamando um polivalente para cobrir os titulares? Tudo serviria para apimentar um pouco as reações à escolha. Assim, não: ninguém fará mais do que erguer um pouco uma sobrancelha, seguindo de imediato com o que estava a fazer antes.

Não digo que isso seja mau. O consenso é uma posição difícil de atingir e é de consensos que esta seleção precisa para seguir sem ondas na competição. Soubesse eu da impossibilidade de Bernardo Silva e a minha lista só teria uma diferença relativamente à de Fernando Santos: a chamada de André Silva em vez de Éder. Sei que Éder fez um bom final de época no Lille, que até marcou alguns golos decisivos, mas a minha questão não era tanto de golos – esses pode fazê-los Ronaldo – mas mais de compatibilidade com o CR7 na frente. E aí acho que André Silva dá mais garantias, porque faz tudo aquilo que Ronaldo não faz. A ideia do selecionador é, no entanto, a de jogar com Nani e Ronaldo na frente, guardando Éder para alguma emergência. Não é a minha, mas até essa pode ser relativamente consensual.