Último Passe 

2016-05-15
Um tricampeão justo em ano de recordes

O Benfica ganhou, como se previa, ao Nacional, por 4-1, na Luz, tornando infrutífera a vitória do Sporting em Braga, por 4-0, e conquistando o seu primeiro tricampeonato desde 1977. Foi um sprint final alucinante, no qual nenhum dos dois primeiros classificados cedeu, acabando o Benfica por impor os seus argumentos e terminar a Liga com uns impressionantes 88 pontos, que tornam irrelevante qualquer discussão à volta da justiça deste título. O Benfica é um campeão justo, porque fez mais pontos. Não jogou o futebol mais bonito, mas foi sempre a equipa mais eficaz, a que teve mais qualidade dentro da área – e isso paga-se com troféus como o que os encarnados acabam de conquistar.

No último dia, só por três minutos o Sporting se colocou na frente da tabela provisória. Marcou primeiro, aos 20’, por Téo Gutièrrez, num daqueles lances-tipo do Sporting: bola de João Mário para a esquerda, onde Ruiz alargou a organização defensiva bracarense e devolveu para o meio, para a finalização de primeira do colombiano. O Sporting já tinha estado perto do golo por um par de vezes e desde cedo se percebeu que tinha tudo para ganhar em Braga. Só que os leões precisavam de mais. Precisavam que o Benfica não ganhasse em casa ao Nacional. E três minutos depois do golo de Gutièrrez, Gaitán abriu a festa da Luz, num lance que também é típico do futebol benfiquista: bola em busca da profundidade no corredor central, corte a impedir a finalização de Pizzi, mas para os pés do argentino, que estava solto e marcou num remate cruzado.

Daí até final, na classificação, só deu Benfica. Slimani marcou o 2-0 para o Sporting em Braga, após cruzamento de Bruno César, num momento em que a equipa de Paulo Fonseca já tinha ficado reduzida a dez homens, por expulsão de Arghus, que derrubou William quando este se isolava. Só que Jonas também só esperou quatro minutos para dar o segundo ao Benfica, em mais um passe longo, desta vez de Gaitán, a pedir a velocidade de Jonas, que ganhou o duelo com o guarda-redes Gottardi. Ao intervalo dos dois jogos, toda a gente percebia que muito dificilmente o título escaparia ao Benfica. O Nacional ainda veio para a segunda parte a pensar num golo, que poderia reabrir a discussão, mas quem o marcou foi o Benfica, outra vez por Gaitán: recuperação de bola no último terço, cruzamento de Jonas, remate de Mitroglou à barra e recarga do argentino, de cabeça, para a baliza deserta.

Começou aí a cantar-se nas bancadas, onde já ninguém estaria preocupado com o resultado do Sporting. Que entretanto chegou também ao terceiro, por Ruiz. E depois ao quarto, também pelo costa-riquenho. Mas, mais golo, menos golo, já nada disso importava. Pizzi ainda fez o 4-0 para o Benfica, já depois de Rui Vitória ter chamado ao relvado Paulo Lopes, o terceiro guarda-redes, que pôde fazer uns minutos e juntar o seu nome ao dos campeões – só mesmo Taarabt subiu ao palanque sem ter jogado. Já era Paulo Lopes quem estava na baliza quando Agra marcou o golo de honra do Nacional, tirando ao Benfica o título de melhor defesa da Liga: os encarnados acabaram com 22 golos sofridos contra 21 do Sporting. Sobrava o título que mais interessava: o de campeão.