Último Passe 

2016-05-08
Benfica acelerou com dez na estrada para o tri

Nem a expulsão de Renato Sanches, ainda antes do fim da primeira parte e com o resultado em branco, travou a marcha triunfal do Benfica, que ganhou por 2-0 ao Marítimo nos Barreiros e vai entrar na última jornada como favorito para fazer a festa do tricampeonato: bastar-lhe-á vencer o Nacional na Luz. Mitroglou e Talisca marcaram os golos da vitória na Madeira, mas Jonas (primeiro) e Jiménez (já perto do final) ainda acertaram por duas vezes nos ferros da baliza de Salin. Tudo num jogo em que o Marítimo foi sempre muito tímido do ponto de vista ofensivo e incapaz de parar as tabelas adversárias no espaço interior quando lhe tocava defender e em que o Benfica terá feito a melhor exibição das últimas semanas.

O melhor Marítimo, na verdade, viu-se de início. Nelo Vingada optou por um 4x4x2 em que os dois atacantes – Djoussé e Edgar Costa – procuravam sobretudo os corredores laterais, dando depois ordem aos jogadores de meio-campo para preencherem o espaço interior, mas isso só bloqueou o ataque do Benfica enquanto os homens da casa tiveram gás para correr mais que os visitantes. Mesmo sem Gaitán, que por lesão cedeu a vaga a Carcela, o Benfica soltava Renato nos corredores laterais, levando-o muitas vezes a surgir embalado frente aos laterais insulares, e isso chegava para causar a dúvida dos médios interiores: iam à procura dele ou ficavam a tapar o espaço predileto de Jonas? Fosse como fosse, a partir dos 25’ o Benfica desfez o equilíbrio que se verificara até então e teve, de imediato, várias situações para marcar. Jonas acertou no poste aos 29’, Carcela viu um defesa da casa tirar-lhe o golo sobre a linha aos 30’ e, dois minutos depois, foi a vez de Salin tirar o golo a Jonas, com uma defesa magistral, a ir buscar um cabeceamento que o brasileiro dirigira para o chão.

E aí apareceu a expulsão de Renato, imprudente a fazer uma falta quando já tinha um amarelo. Com 0-0 e a jogar com menos um durante mais de meio jogo, o Benfica poderia ter um problema. Mas a equipa uniu-se e respondeu bem, mantendo-se sempre alta no terreno, recusando a tentação de baixar as linhas que poderia ter dado iniciativa ao Marítimo. E teve ainda três situações de perigo até ao intervalo: um remate de Carcela sobre a barra e duas finalizações desviadas de Mitroglou. Mesmo com um a mais, o Marítimo não conseguia tapar o espaço entre a linha defensiva e a de meio-campo nem chegar à frente com perigo: atacava quase sempre com poucos e por isso mesmo ficava à mercê do primeiro erro. Que inevitavelmente apareceu logo aos 48’. Alex Soares fez mal um corte e dessa forma isolou Mitroglou, que em boa posição deu de esquerda na bola, sem hipóteses para Salin.

Só depois de uma longa interrupção para ser prestada assistência a Maurício é que Nelo Vingada chamou Dyego Souza, o ponta-de-lança de que a equipa precisava para regressar ao 4x3x3, mas a verdade é que nem assim o Marítimo deu a sensação de poder discutir o jogo. Antes de sair, totalmente esgotado, por estar a cumprir a missão dele e a de Renato Sanches, Jonas ainda viu Salin fazer mais uma excelente defesa a um remate seu que podia ter dado o 2-0 (aos 69’). E foi já com Samaris em vez de Jonas que Talisca (que entrara para o lugar de Carcela) arrumou a questão dos três pontos, marcando um livre semelhante ao que já batera Neuer, no empate frente ao Bayern, na Luz. Faltavam sete minutos (mais os dez de compensação, que ainda chegaram para que Jiménez, que substituiu Mitroglou, chutasse uma bola à barra), mas já nada tiraria esta vitória a um Benfica que soube unir-se no momento em que se viu reduzido a dez e terá, até, aproveitado a proximidade para mais um título para fazer a melhor exibição das últimas semanas.