Último Passe 

2015-08-22
Sporting e FC Porto tão diferentes e tão iguais
Sporting e FC Porto perderam os primeiros pontos na Liga, deixando U. Madeira, Arouca e Benfica com hipóteses de se isolarem na frente da classificação se vencerem as suas partidas relativas à segunda ronda. Leões e dragões não foram capazes de se impor a Paços de Ferreira e Marítimo, em jogos que acabaram empatados a uma bola e nos quais nenhum dos dois fez tudo aquilo que estava ao seu alcance para vencer. Um por não ser igual a si próprio; o outro por ser demasiado igual ao que mostra sempre.
Jogou primeiro o Sporting, a mostrar um futebol muitos volts abaixo do que é habitual nas equipas de Jorge Jesus. Carrillo, o autor do golo que quase garantia a vitória, foi um dos poucos a manter o nível num onze que apresentou duas alterações em relação aos habituais titulares mas que, a julgar pelo que se viu, fosse por cansaço ou desfoque, devia ter apresentado mais algumas. João Pereira e Jefferson estiveram muito abaixo do habitual, Ruiz acabou em sacrifício, mas na altura de mexer e de incluir o sempre surpreendente Gelson (que voltou a entrar muito bem), o treinador sacrificou Montero, um dos que não devia estar cansado, pois não entrara em campo frente ao CSKA.
O Paços fez um bom jogo, mantendo o rigor posicional e saindo bem para o contra-ataque, mas o empate pode explicar-se muito melhor com aquilo que o Sporting não fez. As equipas de Jesus fazem da velocidade e da intensidade a sua alma e se elas lhes faltam, ficam órfãs de identidade, não conseguem encontrar-se. A ideia que ficou do jogo com o Paços, mesmo quando o Sporting se adiantou, foi a de que a equipa ainda não aparecera sequer em campo, que estava já em trânsito para Moscovo.
Sabendo do empate do Sporting, o FC Porto tinha ainda mais obrigação de ganhar ao Marítimo nos Barreiros. Mas nem o começo catastrófico - um golo sofrido aos 5' num erro crasso de Cissokho - nem o cabeceamento de Maxi Pereira à barra nos últimos segundos da partida chegam para se explicar a crença obsessiva de Julen Lopetegui num sistema que à medida que o jogo vai decorrendo vai tendo menos presença na área adversária, fruto do maior desgaste dos médios que devem lá surgir.
O FC Porto teve os melhores lances para marcar, mas a ideia que ficou foi a de que o treinador podia ter feito mais para ganhar, nomeadamente ao resistir à ideia de juntar Osvaldo a Aboubakar na frente: o argentino só entrou a 11 minutos do fim e fê-lo por troca com o camaronês. Já tinha dito que não tenho a certeza de que ao FC Porto falte um 10, porque admito que o meio-campo funcione com os dois 8 rotativos, mas para encarar a época com esta ideia, Lopetegui tem de fazer concessões e de perceber que cada jogo pede as suas próprias soluções. E por vezes elas passam por reforçar o ataque e abdicar por momentos do 4x3x3.