Último Passe 

2016-04-23
Dois golões e um charuto na vitória do FC Porto

Dois golos de grande recorte técnico e uma série de oportunidades bem construídas pelas duas equipas mereciam mais do que o “charuto” com que Brahimi deu ao FC Porto a vitória frente à Académica em Coimbra (2-1), mantendo, nem que seja por umas horas, as hipóteses matemáticas de a equipa chegar ao título ou ao segundo lugar, que também dá qualificação direta para a Liga dos Campeões. Se o jogo mostrou alguma coisa, porém, foi um FC Porto descontraído, pouco pendente do resultado, que conseguiu mais uma vez de virada – a quarta do FC Porto de Peseiro – e uma Académica muito mais pressionada, porque entra nas últimas três jornadas em posição de despromoção.

O jogo valeu pelos golos. Primeiro o de Pedro Nuno, a dar vantagem à Académica com um livre pleno de potência e colocação, ainda que fiquem dúvidas acerca da possibilidade de Helton fazer um pouco mais no lance. A jogar para ganhar rodagem para a final da Taça de Portugal, o guardião brasileiro viu a bola entrar pelo seu lado, ainda que possa ter como atenuante a visibilidade nula que tinha do momento do remate. Fez depois o empate Ruben Neves, num remate colocadíssimo, de fora da área, a encobrir Pedro Trigueira com um chapéu milimétrico depois de a defesa da casa ter rechaçado para a zona frontal um lançamento lateral de Maxi Pereira. Depois de dois golos tão belos, o jogo acabou por se decidir a meio da segunda parte com um tento fortuito de Brahimi, que procurava meter a bola no interior da área, onde André Silva fazia uma diagonal de encontro a ela, quando a bola desviou em Hugo Seco e foi aninhar-se nas redes, sem que o ponta-de-lança portista ou o guarda-redes da Académica lhe tocasse.

A vantagem portista aceitava-se, porque a equipa de Peseiro foi sempre a que procurou o golo com mais insistência, ainda que nem sempre o tenha feito com grande qualidade ofensiva. Quase sempre em contra-ataque, a Académica também teve lances em que podia ter marcado, nomeadamente uma tentativa de chapéu de Nii Plange a Helton, já perto do minuto 90, que passou o guarda-redes e bateu na barra da baliza, resvalando para fora. O FC Porto assegurava aí a vitória, que lhe valeu tanto pelos três pontos como por algumas boas indicações deixadas por Danilo a defesa-central ou por Ruben Neves, um pouco menos perro que contra o Nacional, na semana passada. A pensar na final da Taça de Portugal, o regresso de André André também deve ser assinalado, faltando a Peseiro que André Silva marque finalmente um golo e que, com a abertura da conta pessoal, o jovem português justifique a persistência do treinador para lá do esforço e do trabalho na movimentação que indiscutivelmente vem mostrando.