Último Passe 

2016-04-18
25 minutos à campeão e o resto à mandrião

Um Benfica de duas caras foi suficiente para ganhar por 2-1 ao V. Setúbal e retomar o lugar no topo da classificação da Liga, com dois pontos de avanço sobre o Sporting, quando já só faltam mais quatro jornadas para o termo da competição. A equipa de Rui Vitória fez 25 minutos à campeão, com velocidade, intensidade e criatividade, chegando com inteira justiça à vantagem, depois de ter visto o adversário marcar logo aos 17 segundos. Mas a segunda parte foi à mandrião, a mostrar uma equipa ao mesmo tempo fatigada e desconcentrada, que só não deixou dois pontos pelo caminho porque, no último minuto de compensação, Arnold não foi capaz de aproveitar a oferta de Pizzi e, isolado na cara de Ederson, deixou que o guardião encarnado levasse a melhor e evitasse o golo do empate.

O golo do V. Setúbal, no primeiro lance da partida, condicionou a forma como decorreu toda a primeira parte. Gorupec encontrou espaço por fora na direita e cruzou para o outro lado, onde André Claro apareceu atrás de Nelson Semedo a abrir o marcador. Estavam decorridos apenas 17 segundos de jogo e este golo, que podia ter afetado animicamente os bicampeões nacionais, veio antes lançá-los numa ofensiva louca e determinada em direção à baliza de Ricardo. Foi dos melhores períodos do Benfica esta época, com oportunidades de golo umas atrás das outras, a deixar antever que a virada no marcador não tardaria. Jonas esteve perto do golo aos 3’ (evitou Ruca) e aos 6’ (impediu-o Tiago Valente). Mitroglou aproveitou um cruzamento de Gaitán para cabecear ao lado (aos 8’), mostrando à equipa que por cima podia lá chegar. Jardel, após canto de Pizzi, cabeceou para Ricardo defender com dificuldade, aos 11’, Mitroglou imitou-o aos 13’, forçando o guarda-redes a socar de improviso. E foi depois de André Claro falhar em boa posição o que até podia ter sido o 0-2, cabeceando ao lado, aos 15’, que Jonas empatou: iam decorridos 19 minutos, Eliseu cruzou e Gaitán, de cabeça, meteu a bola entre a linha defensiva e o guarda-redes, onde Jonas apareceu de rompante para marcar de primeira.

Ainda os adeptos festejaram o primeiro quando Jardel fez o segundo, de cabeça, nas costas de Paulo Tavares – muito mais baixo do que ele – após um canto de Gaitán. Só que aí, com apenas 24' de jogo, o Benfica pareceu tirar o pé do acelerador. Certo que aquele ritmo era impossível de manter até final e que tanto o jogo com o Bayern, na quarta-feira, como a fadiga acumulada por alguns jogadores (Pizzi, por exemplo, está uma sombra do que já foi) ou o facto de outros (Gaitán, MItroglou...) estarem a regressar de lesões prejudicaram a capacidade encarnada. Mas a diferença foi do dia para a noite. Pizzi ainda teve a oportunidade para fazer o 3-1 que descansaria a equipa, a fechar a primeira parte, mas Venâncio cortou o chapéu que o ala fez ao guarda-redes antes de a bola cruzar a linha. E, sem esse golo, o Benfica foi como que apanhado entre dois focos. Forçava em busca da tranquilidade? Defendia a vantagem magra que possuía? Acabou por não se decidir por uma coisa nem pela outra. Em toda a segunda parte, só um cabeceamento de Mitroglou (aos 66’) e outro de Jardel (aos 75’) causaram frisson junto da baliza de Ricardo. O Vitória conseguia equilibrar a meio-campo, mas raramente entrava na área. Fê-lo aos 59', por Arnold, e aos 60', por Ruca, e mesmo assim intranquilizava o campeão, que se foi pondo a jeito para uma surpresa. E esta quase aparecia no segundo minuto de descontos: Pizzi fez mal um atraso e isolou Arnold na cara de Ederson, valendo ao Benfica a qualidade da mancha feita pelo guarda-redes, que dificilmente perderá já o lugar para Júlio César.

O 2-1 não se alterou, Arnold acabou o jogo a chorar e os mais de 50 mil adeptos benfiquistas na Luz a festejar. Porque estão um jogo mais perto do objetivo, o tricampeonato, enquanto o do Vitória, que é a manutenção e chegou a parecer garantido, está em risco sério com uma segunda volta muito abaixo da primeira.