Último Passe 

2016-04-10
Derrota em Paços afunda FC Porto e Peseiro

O FC Porto confirmou em Paços de Ferreira que não só está fora da luta pelo título como que nem o facto de ainda poder receber o Sporting no Dragão, na 28ª jornada, lhe permitirá discutir sequer o segundo lugar e a entrada direta na Liga dos Campeões. A equipa de José Peseiro não respondeu bem às palavras de Pinto da Costa, a meio da semana, encarando a partida contra o Paços de Ferreira com uma descrença que nem a ampla superioridade estatística em ataques, remates, cantos ou posse de bola disfarçou. A derrota por 1-0 terá sido punição extrema, face à nula ambição atacante da equipa da casa, e não deverá engrossar o lote de “vergonhas” do presidente, mas foi o grito dado do relvado para que se mude de paradigma.

Peseiro respondeu à entrevista do presidente trocando Aboubakar e Brahimi por Suk e Varela, mas mantendo a confiança em Sérgio Oliveira, cuja presença constante no onze foi a maior alteração que promoveu desde a sua chegada. O médio, que passou a última temporada no Paços de Ferreira, até foi dos mais ativos na procura do golo, com remates à entrada da área, como aquele com o qual deu a última vitória aos dragões, em Setúbal, antes da interrupção do campeonato para os jogos das seleções. Porém, acabou por ser também ele a ficar ligado ao lance do golo do Paços de Ferreira. Ele e Layun. O lateral mexicano aliviou mal uma bola para os pés de Edson Farías, que lançou o lateral Bruno Santos, tendo este sido mais rápido e agressivo no ataque à bola que Sérgio Oliveira antes de colocar a bola no coração da área, para a conclusão de Diego Jota. Antes de bater Casillas, o remate ainda tabelou em Danilo, por aquela altura a fazer de segundo central por força da troca de Chidozie por André Silva. Faltavam dez minutos para o final do jogo e aquela era apenas a terceira vez que o Paços entrava na área portista.

Até aquele momento, porém, mesmo tendo um domínio amplo do jogo (acabou com 18-5 em remates e com 14-1 em cantos), o FC Porto também não vinha fazendo uma exibição de encher o olho. Podia ter marcado? Podia. Na primeira parte teve dois bons lances: um cruzamento de Sérgio Oliveira, que cruzou a pequena área sem que ninguém lhe tocasse, aos 26’, e um slalom de Corona, concluído com um remate atabalhoado já no centro da área, um minuto depois. Na segunda parte, que os dragões atacaram com Brahimi em vez de Corona, as situações de perigo foram surgindo quase sempre em remates de meia-distância ou bolas paradas. Sérgio Oliveira, que chutara um pouco ao lado, aos 50’, obrigou Defendi a uma boa defesa, aos 71’. Entre os dois lances, tanto Chidozie (de cabeça, após um canto) como Maxi Pereira (numa tentativa de chapéu) falharam por pouco o alvo.

Depois do golo pacense, Defendi ainda teve de brilhar por mais duas vezes, a impedir o empate, que quase saiu da bota de André Silva, aos 85’, ou da cabeça de Suk, ao quinto minuto de compensação. O resultado, porém, já não mudaria, levando o treinador do Paços de Ferreira, Jorge Simão, a subir à bancada, de forma a festejar a vitória de forma eufórica com os adeptos e a aplaudir com eles a ação dos jogadores. Do outro lado, mesmo não sendo o mais culpado da situação, José Peseiro ficou ainda com menos espaço para reivindicar um lugar no FC Porto de 2016/17.