Último Passe 

2015-08-21
Evangelista e Proença do particular para o global
em os interesses globais à frente da estratégia clubística ou da vaidade. O pior é que não têm abundado.
Evangelista colocou o dedo na ferida ao falar do licenciamento. Mas também o teria feito se falasse de outra questão: é que elas estão todas ligadas. A verdade é que o licenciamento para jogar na Liga tem de facto sido uma farsa. É uma farsa porque se fecham os olhos quando devia ter-se uma cultura de exigência. E não é só porque se permite que clubes paguem compromissos com o estado à custa de antecipação de receitas televisivas - algo tão próximo do tráfico de influências que assusta quem está de fora - ou porque se ignoram casos flagrantes de incumprimento simplesmente para não provocar ondas. É uma farsa porque os próprios critérios de licenciamento já são em si pouco exigentes, pois colocam a quantidade à frente da qualidade e continuam a permitir, por exemplo, que haja equipas sem adeptos a participar na prova de elite.
A reforma é precisa, mas não creio que possa ser o Gil Vicente a liderá-la, conforme sugeriu Evangelista. Não só por falta de peso institucional mas acima de tudo porque os gilistas também só se queixaram quando lhes tocou a fava do bolo-rei e desceram de divisão. A reforma poderá fazê-la o sindicato, historicamente uma força progressista na realidade do futebol nacional, mas para isso precisará da Liga e que Pedro Proença seja capaz de dar um passo em frente relativamente aos interesses que o elegeram. O global sempre à frente do particular: tudo se resume a isso...