Último Passe 

2016-04-09
Jimenez garante pontos depois de início sem foco

O Benfica voltou a sentir dificuldades para somar os três pontos numa partida de campeonato no terreno de um dos últimos classificados, ganhando desta vez à Académica, por 2-1, graças a um golo de Jiménez, a cinco minutos do fim da partida. A vitória foi justa, porque foi o Benfica quem esteve sempre por cima no jogo, mas podia ter sido posta em causa pela entrada displicente dos jogadores encarnados, que passaram a primeira meia-hora com a cabeça no jogo da próxima quarta-feira, com o Bayern, e à espera que este, de Coimbra, se resolvesse por si mesmo.

A questão não pareceu tanto de fadiga como de foco. Rui Vitória entrou em campo com dez dos onze homens que perderam em Munique na terça-feira – trocou apenas Fejsa por Samaris – mas a forma como o Benfica reagiu ao golo que sofreu à saída do primeiro quarto-de-hora parece indicar que a equipa tinha energia de reserva. A Académica, que Filipe Gouveia escalonou em 30/40 metros à saída da sua própria área, reduzindo o espaço entre linhas e apostando em três defesas-centrais, para ter sempre dois homens sobre Jonas e Mitroglou e alguém à sobra, aproveitava a lentidão do Benfica para conseguir sair com alguma regularidade e impedir o sufoco que a sua colocação em campo poderia deixar adivinhar. E chegou mesmo ao golo, após um corte disparatado de Eliseu, na sequência do qual Pedro Nuno aproveitou a reação tardia de Samaris e Renato Sanches para ganhar o espaço entre linhas e rematar colocado.

A perder à saída do primeiro quarto-de-hora, o Benfica reagiu. Pareceu ligar os motores e, como é natural perante uma equipa que defendia tão atrás como a Académica, acabou por aproveitar um dos erros que os da casa cometeram até ao intervalo. João Real, o central solto de Gouveia, tirou duas oportunidades quase seguidas a Gaitán (aos 32’) e Pizzi (aos 37’), mas este redimiu-se aos 39’, com um grande cruzamento, que Mitroglou aproveitou para empatar, de cabeça, nas costas de Iago, que falhou a interceção. Até ao intervalo, Pizzi ainda falhou um golo impossível de falhar, depois de já ter tirado o guarda-redes do caminho e tudo, chutando contra Nuno Piloto, pelo que foi com alguma surpresa que a segunda parte revelou uma Académica outra veze mais certa nas marcações e um Benfica pouco imaginativo.

No segundo tempo, apesar de uma superioridade esmagadora em posse de bola e ocupação de terreno, o Benfica quase só se mostrou perigoso em bolas paradas. Pedro Trigueira fez um punhado de boas defesas, primeiro num livre de Gaitán, depois num corte de Ricardo Nascimento que quase dava autogolo, e por fim em dois cabeceamentos de Jonas (após um lançamento lateral) e Jardel (na sequência de um canto). Rui Vitória foi arriscando e meteu mais gente na frente. Depois de trocar Pizzi por Carcela, chamou Talisca para o lugar de Samaris (para ganhar meia-distância) e Raul Jiménez para a vaga de Eliseu, passando a ter três homens na área. E a entrada do mexicano foi decisiva: a 5’ do fim, Jiménez usou as pernas compridas para dominar um cruzamento de André Almeida que parecia ir fugir-lhe e disparou sem hipótese para o guarda-redes da Académica. Depois do 1-0 contra o Boavista, no Bessa, fruto de um golo de Jonas já em tempo de compensação, o Benfica ultrapassava mais uma barreira bem perto do fim de uma partida, aproximando-se do tri-campeonato. Faltam mais cinco.