Último Passe 

Crédito: FPF
2016-03-30
Boas indicações e pistas na vitória sobre a Bélgica

Portugal conseguiu uma boa vitória sobre a Bélgica, por 2-1, numa partida em que mostrou menos capacidade para criar desequilíbrios na frente do que tinha feito contra a Bulgária mas onde, em contrapartida, se mostrou uma equipa muito mais segura e disciplinada do que na passada sexta-feira. No último jogo antes da escolha final dos 23 convocados por Fernando Santos, o selecionador deixou algumas pistas acerca não só acerca dos homens que tenciona levar para França mas também da evolução do modelo e da organização que tenciona aplicar quando a competição começar a apertar.

A aposta na mobilidade na frente manteve-se, com Nani e Cristiano Ronaldo a funcionarem como os dois elementos mais avançados do esquema. Depois, no entanto, Santos acertou um pouco os equilíbrios na forma como escolheu quatro jogadores que são tendencialmente médios para jogar atrás destes dois avançados. Uma coisa é jogar contra uma Bulgária que só ataca pela certa e outra é fazê-lo contra uma Bélgica que assume o jogo e até acabou a partida com mais posse de bola do que Portugal. No primeiro jogo, Fernando Santos soltou João Mário e Rafa, neste chamou antes André Gomes em vez do atacante bracarense, levando a que a equipa não tivesse sempre tanta gente na frente e se colocasse de forma diferente no momento defensivo. Durante o jogo, mesmo mantendo o modelo, Santos ainda experimentou o 4x3x3, quando chamou Éder ao campo, e o 4x2x3x1, quando sentiu a necessidade de fechar o espaço à frente da sua área com a utilização simultânea de Danilo e William, para controlar uma Bélgica com cada vez mais gente na frente.

O jogo, em certa medida, diferiu do de sexta-feira sobretudo na eficácia das finalizações nacionais. Os portugueses não foram exemplares, porém. Após um início em que os belgas pareciam querer monopolizar a bola, Portugal começou a acertar nas combinações ofensivas e, antes de Nani abrir o marcador, aos 20’, na sequência de um bom lance de Cristiano Ronaldo e André Gomes, já o guarda-redes Courtois se tinha oposto com qualidade a remates de João Mário, Adrien, Nani e Ronaldo. E antes de Ronaldo fazer o 2-0, aos 40’, após um excelente cruzamento de João Mário, já este tinha perdido uma ocasião claríssima, traído pela forma como fez a receção a um passe do CR7 que era meio golo. O 2-0 ao intervalo justificava-se, por isso, perfeitamente.

Santos trocou então Adrien e João Mário, que já tinham sido titulares na sexta-feira (e essa dupla titularidade é seguramente uma pista acerca dos 23), por Renato Sanches e Bernardo Silva. E Portugal baixou a intensidade. Não tanto pelas substituições – ainda que Renato tenha parecido muito mais tímido do que nos jogos do Benfica, ganhando em disciplina tática o que perde em capacidade de explosão atacante – mas muito pela forma como a equipa decidiu gerir a vantagem. A Bélgica voltou a pegar no jogo e a entrada de Jordan Lukaku, dando profundidade ofensiva ao corredor esquerdo, colocou Portugal em sentido. Santos continuou a sua gestão, trocou Ronaldo e Nani por Quaresma e Éder e mudou para 4x3x3, com Danilo atrás de Renato e André Gomes no meio-campo, e Quaresma e Bernardo abertos no ataque. E foi nessa altura que a Bélgica marcou, numa combinação dos irmãos Lukaku, que Romelu concluiu de cabeça.

Nessa altura, com meia-hora para jogar e já sem Ronaldo em campo, Marc Wilmots quis ir à procura do empate. Chamou Batsuayi para jogar perto de Lukaku na frente e Portugal tremeu até ao momento em que Fernando Santos mudou para o 4x2x3x1, com William Carvalho ao lado de Danilo como médios mais recuados (outra pista, a indicar que é possível tê-los em simultâneo em campo). Com a troca, a equipa portuguesa fechou o jogo e segurou o 2-1 até final, vindo mesmo a ter uma ou outra ocasião para ampliar a vantagem. Ainda assim, mesmo pela margem mínima, a vitória chegou para animar um pouco os semblantes, que tão carregados tinham saído depois da derrota com a Bulgária. Afinal, mesmo tendo em conta que à Bélgica faltavam vários titulares, a seleção deixou indicações de que pode ser competitiva.