Último Passe 

2015-08-18
Sporting bem a atacar e mal a gerir ritmos

Os 2-1 com que o Sporting bateu o CSKA na primeira mão do playoff da Liga dos Campeões estão muito longe de ser um resultado perfeito, mas se a equipa verde e branca preferiu adotar uma abordagem conservadora e segura para os minutos que se seguiram ao golo de Slimani em vez de tentar capitalizar sobre a euforia na busca de um terceiro golo é porque o seu treinador acredita que pode marcar pelo menos uma vez em Moscovo. A eliminatória continua tão difícil como já se sabia que iria ser, mas o acesso aos milhões continua na base dos 50% para cada lado.

Jorge Jesus disse no fim que este foi o melhor jogo que a equipa no que leva da época. Não me pareceu. É verdade que o Sporting fez coisas boas, sobretudo nos 25 minutos iniciais, mas a forma como baixou a intensidade defensiva após chegar ao 1-0 foi comprometedora. Falta a esta equipa a capacidade para mexer como quer nos ritmos do jogo, para baixar a velocidade do ataque e manter a intensidade defensiva, porque assim que esta baixa também surgem os espaços a meio-campo e os adversários passam a poder lançar gente nas costas de uma defesa subida ou, em rápidas variações de flanco, conseguem deixar os extremos do flanco oposto em lances de um para um com o lateral que os acompanha.
O puzzle só se resolveu quando o próprio CSKA perdeu rapidez de execução. E aí, com o jogo bem mais fechado, viu-se a tal qualidade de ataque posicional de que falava Jesus. Percebeu-se que Aquilani pode ser uma grande ajuda, pela visão de jogo que empresta à equipa, ou que Mané e Gelson são acrescentos de inventividade a um sector (a linha de apoio ao ponta de lança) que o treinador pode travestir de diversas formas. Foi a derivação de Carrillo da direita para o meio que se revelou decisiva, num lance em que o peruano lançou Slimani para o golo.