Último Passe 

2016-03-20
Crescimento de Sérgio Oliveira foi boa notícia para Peseiro

A confirmação de que Sérgio Oliveira é opção válida para o meio-campo foi, juntamente com os três pontos somados, a boa notícia para o FC Porto na noite chuvosa em que venceu o Vitória, em Setúbal, por 1-0, mantendo a distância relativamente ao Sporting e ajudando a pressionar o Benfica. O jovem médio português, aquele que menos contava para Julen Lopetegui, deu dinâmica ao meio-campo dos dragões e fez, com um remate de ressaca à entrada da área, o golo da vitória justa mas nunca brilhante ou tranquila dos dragões. Mesmo contra um Vitória que confirmou ter ficado a perder muito como equipa com as movimentações do mercado de Janeiro.

No final do jogo, José Peseiro elogiou a exibição dos seus jogadores, mas a verdade é que não havia ali muito a admirar. O FC Porto mandou no jogo? Sim. Podia ter feito mais golos? Também, é certo, sobretudo na primeira parte, na qual criou três ou quatro situações de perigo para a baliza de Raeder, marcando precisamente na última, quando já cheirava a intervalo e o 0-0 subsistia teimosamente no marcador. Mas nunca exibiu um futebol fluído, nunca foi avassalador, perante um adversário que, quando decidiu subir o bloco, no segundo tempo, também podia ter chegado ao golo, porque meteu a bola na área onde os dragões costumam errar mais: a sua própria. A ideia que ficou foi a de que, causticado por vir com tantos jogos consecutivos sempre a sofrer golos, o FC Porto colocou a tónica na necessidade de evitar desequilíbrios a atacar e que, por via disso, nunca foi tão envolvente como chegou a ser, a espaços, na primeira parte contra o U. Madeira ou em momentos do jogo da Luz, contra o Benfica. Depois, é certo, que há o reverso da medalha: a equipa mostrou-se mais segura defensivamente. Mas nunca matou o jogo contra um Vitória que já não tem nada a ver com a equipa da primeira volta.

Até pode acontecer que, mesmo a jogar como está a jogar, o FC Porto ganhe os oito jogos que lhe faltam para acabar a época – sete na Liga e a final da Taça de Portugal, contra o Sp. Braga. Se o fizer, o final de época acabará por ser feliz, fazendo desaparecer da cabeça dos adeptos boa parte das dúvidas que ali se instalaram quando de lá saiu o alívio por ver Lopetegui ir embora. Se o conseguir, Peseiro pode finalmente ter o tempo para trabalhar que tem reclamado ultimamente, equilibrar um plantel que foi feito para outro futebol e que também não ficou a ganhar nada com os ajustes feitos em andamento. Para já, no entanto, tudo o que Peseiro vai ter são duas semanas, fruto da interrupção para os compromissos das seleções nacionais. E bem precisa de as aproveitar para consolidar as ideias que tem tentado transmitir aos jogadores.