Último Passe 

2016-02-25
Sporting cai em Leverkusen e vê aumentar pressão

O Sporting vendeu cara a eliminação, deixou até uma boa imagem na BayArena, mas acabou por ceder nova derrota frente ao Leverkusen (3-1) e cair da Liga Europa. Jesus voltou a poupar jogadores nucleares, mas não foi por isso que os leões se deixaram bater: ao contrário do que aconteceu na semana passada, a equipa leonina surgiu personalizada, beneficiou de um maior relaxamento do adversário e teve situações de golo suficientes para seguir na competição. Não as concretizou, o que deixa a equipa numa situação de pressão total. É que, perdidas todas as competições a eliminar, só resta mesmo o campeonato, com onze jornadas de tudo ou nada para definir a primeira época de aposta total em Jesus.

Bellarabi, que já tinha marcado o golo alemão em Alvalade, foi o homem da noite, fazendo os dois primeiros golos alemães, ainda por cima ambos em alturas em que os leões estavam melhor no campo. Pelo meio, Carlos Mané perdeu duas situações na cara do guarda-redes, que podiam ter relançado a eliminatória, ambas por excesso de altruísmo ou falta de confiança na finalização: procurou sempre um companheiro em vez de tentar o remate que se impunha. Pela velocidade que é capaz de meter nos últimos metros – é tão rápido como Gelson, mas mais objetivo – Mané causa desequilíbrios de forma constante, mas parece ter regressado da ausência prolongada no onze menos eficaz na finalização. Em Leverkusen, podia ter sido o parceiro ideal para João Mário, que fez uns excelentes 65 minutos como segundo ponta-de-lança, até ao segundo golo alemão, incluindo o golo que deu esperança na qualificação.

E o jogo até tinha começado mal para os leões. O Leverkusen entrou forte, a querer marcar para colocar desde logo um ponto final na questão, pelo menos do ponto de vista emocional. Não o fez e o Sporting cresceu. Os leões assentaram o jogo, com João Mário a explorar sempre bem as costas dos dois laterais alemães e o correspondente movimento interior de Mané ou Bruno César a criar problemas na organização defensiva do Leverkusen. Foi quando o jogo estava assim que Bellarabi fez o 1-0, à meia-hora, a explorar uma deficiente transição defensiva dos leões. Mané perdeu o empate pouco depois, mas foi no lance seguinte um dos causadores do desequilíbrio que levou ao empate, feito por João Mário aos 38’. Com o empate, a vantagem anímica passou para a equipa portuguesa, que voltou a perder um golo cantado aos 57’, outra vez por Mané.

O Leverkusen já não se expunha muito e Jesus começou a lançar as suas armas. Só que um minuto depois da entrada de Ruiz, surgiu o segundo golo de Bellarabi (aos 65’), um grande remate de fora da área, a entrar onde tinha de o fazer e a aninhar-se nas redes laterais. Jesus ainda chamou Slimani e Gelson, para tentar um segundo golo que reanimasse a questão, o argelino ainda viu Leno tirar-lhe a hipótese de empatar, com uma boa saída dos postes (aos 72’), mas o Sporting acabou aí. Çalhanoglu fez o 3-1 (aos 87’) e Jefferson ainda sacou uma bola de golo em cima da linha, evitando que o resultado assumisse outras proporções e permitindo à equipa, pelo menos, manter a face numa altura em que isso é muito importante. É que, segunda-feira, em Guimarães, joga o primeiro dos onze jogos com que vai acabar a época. E quando só lhe resta mesmo o campeonato, tem em cima a pressão de dar razão ao treinador nas poupanças que lhe custaram a carreira na Europa.