Último Passe 

2016-02-17
Só Sp. Braga escapa a danos da rotatividade

Há duas razões para se considerar que o Sp. Braga é a única das três equipas portuguesas a fazer figura de favorito nos 16 avos de final da Liga Europa. Por um lado, defronta um adversário mais fraco que os que tocaram a FC Porto e Sporting, que terão pela frente duas equipas de Champions. Por outro, com a classificação praticamente definida na Liga portuguesa, pode centrar esforços em ir o mais longe possível na competição europeia, ao contrário de leões e dragões, que enfrentam uma batalha esgotante com o Benfica na corrida ao título de campeão.

Jorge Jesus deixou bem claro que ia optar pela rotatividade na receção ao Leverkusen, como quase sempre tem feito esta época nos jogos europeus, pois a prioridade do treinador era e continua a ser o campeonato. Não está provado que os jogadores do Sporting não possam render o mesmo se tiverem de jogar duas vezes por semana em vez de uma. Os três jogos europeus em que Jesus usou maioritariamente os titulares – a pré-eliminatória da Champions com o CSKA em Agosto e o desafio decisivo na fase de grupos da Liga Europa, com o Besiktas, em Dezembro – geraram consequências diversas: empate com o Paços de Ferreira entre os jogos com os russos, vitória sobre a Académica no rescaldo da saída da Champions e sucessos contra o Marítimo e o Moreirense antes e depois da partida com o Besiktas. Contudo, é Jesus quem assume a rotatividade, seja porque acredita que a equipa poderia ressentir-se ou porque sente que, ao fazê-lo, consegue de uma cajadada encontrar justificações antecipadas para um eventual insucesso europeu e evitar que esse eventual insucesso cause danos emocionais no plantel.

Nos jogos com o Leverkusen, terceiro classificado da Bundesliga, não precisaria, pois o poderio do adversário fala por si. Como fala também a qualidade do Borussia Dortmund, que é segundo do campeonato alemão e vai defrontar o FC Porto. Peseiro não estará a pensar em rodar a equipa, mas a verdade é que corre o risco de enfrentar o jogo com o melhor ataque da Bundesliga com uma defesa muito diferente da que os responsáveis da equipa idealizaram. Sem Maxi Pereira e Danilo, castigados; sem Maicon, que já foi embora; sem Chidozie, a alternativa inventada para o jogo com o Benfica na Luz; e ainda com Marcano em dúvida, por lesão, Peseiro só não terá de inventar muito para formar o quarteto defensivo porque provavelmente não terá sequer jogadores para escolher: além dos citados, há Layun, Verdasca, Martins-Indi e Jose Angel. E precisará certamente de uma noite inspirada no ataque para entrar na segunda mão em condições favoráveis.

Daí que, frente ao Sion, sexto da Liga suíça, dez pontos à frente do quinto e a sete do terceiro na Liga portuguesa, o Sp. Braga seja quem está em melhores condições para encarar os 16 avos de final da Liga Europa com otimismo. Até porque, das três equipas portuguesas envolvidas, a minhota é a que tem o plantel mais homogéneo, sem grandes diferenças entre titulares e suplentes. E isso pode dar jeito.