Último Passe 

2016-02-16
Jonas deu vantagem a um Benfica mais controlado

Um golo de Jonas, a beneficiar do espaço que Jardel lhe ganhou após uma bola parada de Gaitán, no último minuto de jogo, valeu ao Benfica uma vitória suada e difícil mas justa sobre o Zenit e a possibilidade de viajar até São Petersburgo com um 1-0 que pode ser curto, sobretudo em função do esperado crescimento competitivo dos russos nas três semanas que aí vêm, mas que é bem melhor do que parece, por ter sido conseguido sem sofrer golos em casa. Rui Vitória acabou assim por ver recompensada a estratégia de menor vertigem ofensiva que adotou, destinada sobretudo a controlar o contra-ataque de um Zenit sempre demasiado focado na criação de duas barreiras defensivas à frente da sua área e sem capacidade fisica para esticar o jogo até perto da baliza de Júlio César.

Vitória acabou por optar pelo 4x4x2 do costume, repetindo mesmo o onze que tinha apresentado contra o FC Porto, mas via-se que a equipa arriscava muito menos do que o habitual, quer nos passes de rotura, quer nas trocas posicionais. A circulação voltou a ser feita com privilégio da segurança, quase sempre por fora e sem procura das penetrações pelo corredor central que têm notabilizado Renato Sanches. E sempre que Pizzi ou Gaitán vinham para dentro, havia a preocupação de Jonas em cair na faixa, de forma a não deixar a equipa descompensada em eventuais momentos de perda de bola. Depois, se André Almeida ainda aparecia com alguma frequência na frente, pela direita, do outro lado Eliseu surgia muito comedido, sempre de olho em Hulk, mesmo quando era o Benfica quem tinha a bola. Tudo somado à organização defensiva impecável dos russos, redundou num jogo muito fechado, sem grandes momentos de perigo. A exceção em toda a primeira parte foi um lance na direita em que Pizzi chutou para as mãos de Lodygin, e um tiro de fora da área de Jonas, que bateu em Lombaerts e podia ter traído o guarda-redes mas saiu ao lado.

O Zenit, que no início do jogo dera uma ideia acerca daquilo a que vinha com uma aceleração quase letal de Danny, só voltou a dar um ar de sua graça no início da segunda parte, quando Witsel obrigou Júlio César a uma defesa apertada. Mas, à medida que o jogo avançava, os russos iam perdendo capacidade de chegar à frente e dessa forma ganhar tempo para a sua defesa respirar. Sentindo o adversário a vacilar e o jogo de sentido único, Rui Vitória mexeu. Primeiro Jiménez por Mitroglou, para ganhar mobilidade na frente. Depois, Pizzi por Carcela, de forma a ganhar largura e de meter mais bolas na área. Mas as ocasiões de golo iam na mesma escasseando e as que apareciam eram desperdiçadas. Gaitán podia ter marcado aos 69’, a passe de Jonas, mas chutou contra Lodygin. Jardel também esteve perto do 1-0 aos 72’, depois de solicitado por Lindelof, mas atirou para fora. E já o jogo se arrastava para o final com um 0-0 teimoso quando Jonas finalmente deu expressão ao marcador e uma maior esperança ao Benfica de seguir para os quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Daqui por três semanas, em São Petersburgo, mesmo sem Jardel e André Almeida – que estão suspensos por via do amarelo que viram na Luz – o Benfica sabe que defende uma vantagem curta, mas que se fizer um golo tem a tarefa muito facilitada. Deve ser essa a sua prioridade.