Último Passe 

2016-02-12
Um super-Casillas e dedo de Peseiro mantêm FC Porto vivo

Um super-Iker Casillas foi o suporte principal de uma exibição personalizada do FC Porto, a ganhar por 2-1 ao Benfica na Luz e a manter-se vivo na luta pelo título, pois dista agora três pontos dos dois primeiros – ainda que o Sporting tenha um jogo a menos. A história do jogo, no entanto, não se resume às três ou quatro grandes defesas do guarda-redes espanhol ou à noite perdulária dos avançados encarnados, que em outras jornadas têm sido um exemplo de eficácia. Houve na vitória portista dedo do treinador, nomeadamente na forma como José Peseiro levou o FC Porto a explorar a incapacidade do Benfica para controlar a largura do ponto de vista defensivo.

A primeira aposta de Peseiro, contudo, falhou. O FC Porto tentou surpreender com Brahimi ao meio e André sobre um dos corredores laterais, no 4x2x3x1 habitual, mas a troca não trouxe nada de positivo ao jogo portista. Por essa altura, os dragões até tinham mais bola, mas revelavam aquele que é um dos defeitos habituais nas equipas de Peseiro: deficiente transição defensiva, a permitir saídas rápidas e perigosas ao Benfica. Rui Vitória apresentou a equipa habitual, com Renato Sanches eufórico de energia e contagiante sempre que a equipa tinha a bola, e teve a primeira ocasião de golo, por Pizzi, na sequência de um contra-ataque originado numa perda de bola de Aboubakar na área de Júlio César. O golo de Mitroglou, nascido de uma insistência de Renato, não trouxe grandes mudanças ao jogo, pois o FC Porto continuava a precisar de arriscar: expunha-se a atacar, mas quando em posse fazia valer a superioridade numérica a meio-campo para explorar a dificuldade benfiquista no controlo da largura defensiva. Porque o Benfica pressionava num primeiro momento, mas assim que a primeira pressão era ultrapassada dava espaço aos médios dos dragões para lançar os extremos, sobretudo Brahimi, que por essa altura já andava pela esquerda.

Um momento de hesitação de Pizzi, apanhando em terra de ninguém, entre apoiar André Almeida na contenção a Layun e controlar Herrera, deu o golo do empate ao FC Porto, marcado pelo médio mexicano num remate muito colocado, ainda na primeira parte. E depois entrou em campo Casillas. Ainda na primeira parte, o espanhol fez uma defesa monumental, a impedir Jonas de desempatar. Depois do intervalo, roubou o golo a Gaitán, em mais um contra-ataque velocíssimo, após um canto a favo do FC Porto. Pelo meio, Mitroglou e Samaris também falharam o 2-1, em boa posição para o fazer. E Aboubakar, que também tinha já desperdiçado uma boa chance de golo, marcou na outra baliza, aproveitando uma boa combinação entre Brahimi e André André. Com o golo do camaronês, aí sim, o jogo mudou. Porque o FC Porto baixou o bloco e deixou de se expor tanto. O Benfica teve então de enfrentar um jogo diferente, face a um adversário defensivamente organizado. Mesmo assim, Casillas ainda brilhou por mais duas vezes, evitando um autogolo de Martins-Indi e opondo-se a uma finalização de Mitroglou para assegurar que os três pontos iam para Norte.

Com este resultado, Rui Vitória enfrenta agora um novo desafio. Continua à frente do FC Porto, mas pode ver o Sporting fugir de novo e, sobretudo, precisa de gerir o esvaziar do balão da euforia que as onze vitórias seguidas vinham enchendo e de convencer os seus jogadores de que é capaz de os levar a ganhar um clássico: até aqui, são cinco derrotas em cinco jogos. Do outro lado, José Peseiro marca posição. O que se viu foi um FC Porto mais forte do que ultimamente, perfeitamente dentro das contas do título, pois está a três pontos do Benfica – que ainda tem de ir a Alvalade – e do Sporting – que tem um jogo a menos mas irá ao Dragão na antepenúltima jornada.