Último Passe 

2016-02-08
Sporting menos criativo nem de Barcos passa Rio Ave

O Sporting voltou a ceder pontos em Alvalade, empatando a zero com o Rio Ave, e deixou-se dessa forma apanhar pelo Benfica no topo da classificação da Liga. Foi, ao mesmo, tempo, um jogo igual mas também diferente daqueles que os leões vinham fazendo em casa. Igual porque a equipa leonina não consegue descolar e meter no campo as combinações ofensivas que em dada altura da época lhe permitiam desbaratar as defesas adversárias. Mas diferente porque desta vez Jesus não arriscou tanto – as duas primeiras trocas foram de jogadores por outros para a mesma posição – e, mesmo tendo errado um par de vezes atrás, a equipa leonina teve em Rui Patrício a garantia do zero nas suas redes. Os dois guarda-redes, aliás, foram os melhores em campo.

É verdade que ao Sporting faltam alguns dos argumentos desequilibradores que em tantas alturas da época foram tão importantes. Faltou a fluidez pela esquerda que Jefferson costuma dar, faltou o critério de distribuição que William Carvalho assegurava quando estava bem, faltou o Slimani que é capaz de desbloquear jogos, faltou até Montero, estranhamente transferido quando a equipa ficou com um Gutierrez que tarda em mostrar serviço de forma convincente e para o lugar dele entrou Barcos, que está muito fora de ritmo competitivo e não se vê quando pode vir a ser útil. A primeira parte foi, por isso, jogada com intensidade mas sem grandes desequilíbrios, porque o Rio Ave ia sempre buscar a saída de bola leonina e matava um dos momentos do jogo em a equipa de Jesus é mais forte – a transição ofensiva. Rui Patrício, face a Kayembé, e Cássio, contra Adrien, Coates ou João Mário, asseguraram o zero ao intervalo, mas nem isso esmorecia o público que acorreu em massa a Alvalade. Afinal, o Sporting nem tem saído para o intervalo a ganhar assim com tanta frequência.

Na segunda parte, talvez fatigada pelo facto de ter jogado para a Taça de Portugal na quinta-feira, o Rio Ave baixou linhas e remeteu-se à defesa do 0-0, o que acabou por conseguir fazer, mais uma vez fruto de dois fatores: um grande Cássio e, nessa fase, alguma falta de criatividade dos leões na frente. Depois de trocar Paulo Oliveira por Ruben Semedo, Jesus chamou Barcos para o lugar de Gutièrrez e só a 15’ do fim meteu mais gente na frente, chamando Gelson para a vaga de William. Não resultou, mesmo tendo o Sporting mudado processos e passado a cruzar muito de fora para as duas torres que tinha na frente. O momento presente é, por isso, de grande importância para o Sporting, que já viu anulada por completo a larga vantagem que chegou a ter sobre o Benfica e vê o rival a galgar barreira atrás de barreira com uma voracidade incrível. Os leões têm a vantagem de receber o rival em casa, mas a desvantagem de precisarem de inverter uma quebra evidente de resultados para chegarem ao dérbi em condições de o jogar com os olhos no título.