Último Passe 

2016-02-05
Benfica mete a manita na discussão do título

Não há muitas formas de iludir a questão: o Benfica está uma equipa fortíssima no ataque e não é por ter beneficiado de alguns erros defensivos do adversário que se explica que tenha sido capaz de golear o Belenenses pela segunda vez neste campeonato. Depois dos 6-0 da primeira volta, na Luz, hoje foram 5-0, a garantir a liderança isolada por mais tempo do que quando ganhou ao Estoril, há três jornadas, mas viu o Sporting reassenhorear-se do topo da tabela antes de ir dormir. Desta vez, a equipa de Rui Vitória pode saborear o primeiro lugar pelo menos até segunda-feira, quando os leões receberem o Rio Ave. E o mais importante, a uma semana do decisivo clássico com o FC Porto, é a qualidade ofensiva que a equipa está a demonstrar.

Um hat-trick de Mitroglou e um bis de Jonas, os suspeitos do costume – os dois juntos têm 34 golos em 21 jornadas – poderiam levar a que se pense numa equipa que abusa da qualidade das suas individualidades, mas essa explicação, como a da evidente fragilidade defensiva deste Belenenses, são chão que já deu uvas. A verdade é que este Benfica está a meter combinações ofensivas vistosas no campo com uma rapidez de troca de bola e de posições que atrapalha qualquer defesa. Pizzi e Gaitán estão também numa forma extraordinária, Renato Sanches – que nem fez um grande jogo no Restelo – empurra o meio-campo para a frente e nem a ausência de Fejsa e Lisandro López veio abalar a segurança defensiva da equipa. Pelo menos contra um Belenenses demasiado macio e positivo para ser levado a sério num jogo em que Lindelof nem chegou a ser verdadeiramente testado.

O Benfica poderia ter-se adiantado no marcador logo nos primeiros minutos, pois perdeu no arranque várias situações de golo cantado, mas à medida que o relógio avançava e o Belenenses se sentia mais confortável, poderia até pensar-se num jogo equilibrado. Mas um frango de Ventura, que não segurou um cabeceamento de Mitroglou, inclinou a balança a favor dos encarnados ainda antes do intervalo. E mais dois golos logo a abrir a segunda parte, por Jonas e outra vez pelo grego – que marcou pela quinta jornada consecutiva, igualando Slimani – acabaram de vez com a discussão em torno do resultado. Até final, a única dúvida era a de se saber por quantos golos iria o Benfica ganhar. Foram cinco, a confirmar a 11ª vitória seguida dos encarnados e a manter bem alta a média de golos das últimas partidas – 15 em três jogos –, lançando desde já o desafio ao FC Porto, que de hoje a uma semana visita a Luz. Aí, sim, o Benfica precisará de confirmar o estatuto de melhor ataque: um ataque que fez 59 golos em 21 jogos, mas que marcou apenas um em quatro partidas contra os dois rivais na corrida ao título.