Último Passe 

2016-01-29
O caso Carrillo visto à luz do processo Benfica-Jesus

Quando Jorge Nuno Pinto da Costa e Jorge Jesus estão de acordo acerca de um tema no qual quem fica a rir-se é o Benfica, é caso para se dizer que não estão a fazer favor nenhum e que o que dizem é justo. Acerca do interesse do Benfica em Carrillo, tanto o presidente do FC Porto – que o denunciou – como o treinador do Sporting – que o comentou – disseram o mesmo: Carrillo é profissional e vai para onde se sentir melhor. Mas nestas coisas do futebol-negócio há cada vez menos ingenuidades e convém todos sabermos acerca do que falamos. E do que falamos aqui é também do processo que o Benfica moveu a Jesus.

Se perder Carrillo a custo zero, é evidente que o Sporting sai prejudicado pela estratégia que escolheu na abordagem ao tema. Bruno de Carvalho já fez excelentes operações em casos como este, nos quais fez da inflexibilidade negocial uma força, mas haveria de chegar o dia em que encontrava alguém igualmente inflexível do outro lado e sairia a perder. Já perdeu o contributo que o jogador podia ter dado durante a época desportiva – ainda que a sua ausência tenha sido gradualmente mitigada à medida que a equipa encontrou outras soluções – e prepara-se agora para partilhar com o investidor que ajudou a trazer Carrillo para Alvalade a perda do valor do passe. Às duas perdas, pode somar ainda uma terceira: a de ver Carrillo jogar com a camisola de um rival e, ainda, a de eventualmente vê-lo depois ser transferido por bom dinheiro.

Mas é evidente que Carrillo tem todo o direito de assinar pelo Benfica. Assim como Jesus teve todo o direito de assinar pelo Sporting. A esse respeito, podemos criar todos os cenários que quisermos, mas ainda que Jesus não tenha sido convenientemente fotografado na mesma rua e no mesmo dia de Bruno de Carvalho, numa data em que já poderia assinar por um novo clube, como aconteceu com Carrillo e Luís Filipe Vieira, fará tanto sentido vir agora o Sporting processar Carrillo pela vontade que este tenha de jogar aqui ou ali como fez o Benfica processar Jesus por se ter mudado da Luz para Alvalade no verão passado. Nenhum sentido, portanto.