Último Passe 

2016-01-16
Vitória lógica e justa de um Benfica atípico

Na primeira jornada do campeonato, este Estoril tinha perdido por 4-0 com este Benfica mas tinha sido capaz de discutir o jogo na Luz. Esta noite, na Amoreira, os canarinhos perderam só por 2-1, até estavam a ganhar ao intervalo, mas não mostraram sequer por um instante a capacidade para ficar com os três pontos em casa. O que se viu foi um Benfica não muito inspirado onde costuma ser mais forte – os últimos 20 ou 30 metros – mas absolutamente dominador no resto do campo, ganhando duelos sobre duelos e conseguindo assim instalar-se em permanência no meio-campo estorilista. Os dois golos que chegaram no segundo tempo acabaram por ser o corolário lógico do que se via em campo e dão mais alento à equipa de Rui Vitória, que mantém a fase de crescimento e já só vê a liderança a dois pontos.

O jogo começou praticamente com o golo do Estoril, obra do inevitável Bonatini, que aproveitou a abordagem negligente de Lisandro – e de Eliseu antes dele – para atacar um cruzamento feito na direita por Anderson Luís e bater Júlio César com uma finalização cheia de classe. O problema para Fabiano Soares é que se tinha visto pouco Estoril até aí, viu-se ainda menos daí para a frente. Se a ideia era juntar duas linhas de quatro atrás, com Diogo Amado entre elas de forma a roubar o espaço habitualmente ocupado por Jonas, ela falhou redondamente, porque o Benfica conseguia quase sempre recuperar a bola instantes depois de a perder, partindo desde logo para nova vaga de ataque às redes de Kieszek. Jonas, Jiménez, Pizzi, Carcela, Sanches ou Fejsa, os próprios laterais quando em posicionamento avançado, qualquer jogador do Benfica ganhava mais bolas divididas do que as que perdia, e isso resultava num massacre ofensivo que, contudo, não tinha reflexo na criação de reais oportunidades de golo.

Este Benfica costuma ser uma equipa de golo fácil, que nem precisa de grande volume de jogo para marcar. No Estoril foi ao contrário – muito volume mas poucas situações de golo iminente. Rui Vitória percebeu que precisava de um homem de área e chamou Mitroglou, avançado menos dado a trabalhar sem bola que Jiménez, mas mais posicional e propenso a aproveitar as muitas bolas que iam cruzando a área do Estoril. E, ainda que contando com a sorte do ressalto e da desorientação defensiva dos jogadores canarinhos que estiveram no lance – onde estavam em superioridade de quatro para dois – o grego fez o golo do empate. Pizzi, cada vez mais importante no crescimento deste Benfica, fez o 2-1 e só aí o Estoril saiu para discutir o resultado. Já o fez tarde. Os três pontos assentaram bem aos encarnados, que conseguiram a terceira reviravolta da época e podem ficar agora à espera de ver o que fará o FC Porto em Guimarães para ver se terão companhia na perseguição ao Sporting.