Último Passe 

2016-01-15
Sporting liga e desliga e empata com Tondela

O Sporting deixou dois pontos que podem vir a fazer-lhe muita falta na luta pelo título ao empatar em casa com o último classificado, o Tondela, na partida de abertura da segunda volta. O 2-2 final reflete uma exibição positiva da equipa de Petit, que soube jogar em todo o campo e aproveitar os desequilíbrios defensivos dos leões no corredor central, mas também o facto de o líder ter tirado o pé do acelerador assim que chegou à vantagem, numa virada em que muitos não acreditariam. O destaque vai para os velocistas que o Tondela teve na frente, sempre capazes de desestabilizar a linha defensiva leonina, mas também para Gelson Martins e Ruiz, que pelo que fizeram no início da segunda parte não mereciam a traição dos jogadores das linhas recuadas.

O primeiro problema para o Sporting foi ter entrado desligado. Falhando muitos passes no início de organização, onde o Tondela metia sempre gente, recusando defender à entrada da sua área, o líder aparecia desconcentrado e lento. Quando o Tondela chegou à vantagem, num penalti convertido por Nathan, a meio da primeira parte, o Sporting não tinha feito nada para justificar aquilo a que vinha, parecendo estar apenas à espera de ver o que o jogo lhe trazia. Como se o facto de o primeiro receber o último em clima de euforia bastasse para somar três pontos. A expulsão de Rui Patrício, no lance da grande penalidade, veio retardar a reação leonina até à segunda parte. Mas aí, sim, com a entrada de Gelson por William – mais um mau jogo do 14 leonino – e certamente as palavras de Jesus no balneário, o leão pareceu o líder do campeonato.

Concentrado no que interessa e finalmente a meter velocidade no jogo, muito por força do futebol de filigrana de Bryan Ruiz e da capacidade de Gelson Martins para desequilibrar no um contra um, o Sporting chegou com naturalidade à vantagem. Teve alguma sorte no golo com que Slimani fez o empate – o ressalto num adversário traiu Matt Jones – mas continuou a carregar e viu o esforço premiado com o 2-1, marcado por Gelson. Aí, a jogar com menos um, com meia hora por jogar, a tentação do Sporting foi controlar o ritmo de jogo, algo que já se sabe que esta equipa faz menos bem. Petit percebeu que podia tirar alguma coisa do jogo, fez entrar mais um avançado – Chamorro – e teve prémio no golo em que o espanhol bateu Jefferson em velocidade antes de fazer a bola passar entre as pernas de Boeck.

O Sporting até tem tirado pontos dos últimos minutos dos jogos, mas uma coisa é fazê-lo quando está centrado na busca de um objetivo e outra, bem mais complicada, é voltar a ligar o motor depois de ter feito tudo para o desligar. Isso, o Sporting já não conseguiu fazer. E fica agora à mercê dos resultados que Benfica e FC Porto fizerem no Estoril e em Guimarães e pode ver a vantagem na liderança reduzida para dois pontos.