Último Passe 

2016-01-08
As VMOC do Sporting e os novos players do mercado

As informações saídas da Assembleia Geral da SAD do Sporting parecem indicar que os bancos aceitaram prolongar o prazo de pagamento das VMOC contra um ligeiríssimo aumento de juros, abdicando assim do direito de transformar as ditas VMOC em ações e de retirar ao Sporting – clube a maioria do capital da sua SAD. É uma decisão que terá de ser amadurecida – e por isso mesmo Millenium e Novo Banco têm uma semana para a confirmar – e que, se por um lado faz todo o sentido, por outro vem dar razão aos que se queixam de favorecimento da banca aos leões, por oposição ao tratamento dado aos rivais. Resta ver ser estes querem aproveitar a disponibilidade dos novos players que substituíram o BES e a PT.

Primeiro, a decisão. O que há, para já, é uma votação unânime na dita Assembleia no sentido de prolongar o prazo de pagamento das VMOC. Não foram anunciadas contrapartidas ou sequer se as houve. Mas causa alguma estranheza que, horas depois de ter feito saber que não ia aceitar o plano de Bruno de Carvalho, o Novo Banco tenha afinal acabado por o viabilizar. A ser assim, sem letras pequeninas no acordo, “chapeau” ao presidente do Sporting, que foi fazendo bluff até final e acabou por abandonar a mesa com as fichas todas. Terá sido um jogo de risco elevado, mas com a noção de uma coisa: que as ações das SAD portuguesas são ativos tóxicos, que dificilmente podem ser rentabilizadas. Afinal de contas, para que queria o Novo Banco ações que desvalorizam a toda a hora? Não lhe convirá mais acabar por receber o dinheiro, nem que seja a dez anos?

Essa jogada de antecipação do que ia ser o pensamento da outra parte poderá ter estado na base da jogada de Bruno de Carvalho, que não quis desviar milhões para o pagamento desta dívida e terá acabado por ver a sua tese vingar. O problema é que o Sporting compete com clubes que estão a fazer esse desvio de dinheiro para pagar aos bancos. E, mesmo não sendo a banca estatal e não se colocando aqui uma questão de favorecimento institucional a um clube face aos outros – ainda que o resgate de que foi alvo o BES, titular original do crédito, possa levar a que o caso tenha de ser visto também à luz desta realidade – a verdade é que Benfica e FC Porto têm aqui razão suficiente para se queixarem.

A questão é a de se perceber se querem fazer mais do que queixar-se, se querem aproveitar para provocar a renegociação da dívida ou apenas continuar a falar em descriminação positiva dos leões. Com jeito, talvez se verifique com a banca um fenómeno idêntico ao que se viu com as operadoras de televisão, com renegociações de dívida sequenciais em condições favoráveis para os clubes. E aí, sim, passaria a haver dinheiro para o futebol português se tornar mais competitivo no plano internacional. É que a PT e o BES já lá vão, mas o futebol continua uma força incomensurável nos players que os substituíram.