Último Passe 

2015-12-20
Lição da Choupana põe individual acima do coletivo

A primeira derrota do Sporting na Liga, inesperadamente surgida frente ao U. Madeira, por 1-0, na Choupana, apareceu num jogo que os leões dominaram de início ao fim e no qual até falharam ocasiões de golo suficientes para ganhar com algum à-vontade, mas veio confirmar a tendência de perda que a equipa de Jorge Jesus vinha revelando nas últimas semanas, naquela série de vitórias arrancadas a ferros por 1-0. Um golo de Danilo Dias, provavelmente na única vez que o União foi até à baliza de Rui Patrício, e um punhado de grandes defesas de André Moreira fizeram o resultado final de um jogo em que o individual se sobrepôs ao coletivo, deixando a liderança leonina à mercê do resultado que o FC Porto fizesse a seguir, em casa, contra a Académica.

O União levou para o campo o mesmo autocarro que já lhe tinha valido um empate a zero com o Benfica, na terça-feira: linha de quatro homens atrás, com três médios de trabalho à frente deles no corredor central e os extremos obrigados a baixar para fechar as laterais. Parte do seu sucesso foi, portanto, coletivo: nasceu na união e na organização defensiva. A questão é que, mercê das suas habituais combinações triangulares, o Sporting até teve muito mais situações de finalização na área do que as que tinha conseguido o Benfica. Mas ou os remates saíam desenquadrados ou aparecia André Moreira, o super-inspirado condutor do veículo, absolutamente inultrapassável nesta noite, a detê-los, mantendo o zero nas suas redes.

Ao Sporting terá faltado alguma frescura física – que a equipa deixou em Braga, nos 120 minutos de quarta-feira. Slimani foi menos intenso, Jefferson e Ruiz apareceram pouco… O perigo leonino saía quase sempre do flanco direito, onde estavam Esgaio (poupado em Braga) e Gelson (que só jogou 60 minutos nessa partida), o que dixa pensar que no resto do campo havia jogadores fatigados e que parte do insucesso terá de encontrar explicação no facto de Jesus ter deixado de rodar totalmente a equipa numa sequência de quatro jogos em 11 dias (Besiktas, Moreirense, Sp. Braga e U. Madeira). Daí a ansiedade dos responsáveis leoninos, a pressa para contarem com os reforços de Inverno. Só que a este Sporting não falta só acrescentar em números: é preciso acrescentar em qualidade também, é preciso ter quem resolva individualmente os jogos que o coletivo não ganha.