Último Passe 

2015-12-16
Festival ofensivo de Braga anula tentação do controlo

A vitória épica do Sp. Braga sobre o Sporting, a afastar o Sporting da Taça de Portugal com um 4-3 no qual teve de recuperar de duas situações de desvantagem no marcador, veio provar que a equipa de Paulo Fonseca pode mesmo ombrear com os grandes em termos de futebol ofensivo e ao mesmo tempo deixar dúvidas acerca da capacidade dos leões para o patamar elevado em que Jorge Jesus tenta colocá-los desde já. Objetivamente, a primeira derrota da época do Sporting no futebol nacional nasceu na incapacidade da equipa líder do campeonato controlar os ritmos de um jogo em que esteve por duas vezes a ganhar, a última das quais até aos 83’. É esse o teste de maioridade que falta a este Sporting ultrapassar.

O jogo teve muito a ver com a final de Maio passado, no Jamor, com a diferença de que desta vez os papéis se inverteram: foi o Sp. Braga quem teve de correr atrás para anular uma desvantagem. Quando não há grande desequilíbrio de forças é sempre mais fácil ter a bola, jogar para o golo, do que controlar o jogo sem ela, gerindo o resultado. Foi isso que mostrou o Sporting na final da Taça da época passada, quando recuperou de 0-2 para 2-2 com menos um jogador, acabando por ganhar nos penaltis, e que voltou a mostrar agora o Sp. Braga, ao derrotar o detentor do troféu por 4-3, depois de estar a perder por 0-1 e por 2-3. Para controlar jogos em que não se tem muita bola é preciso uma maturidade que este Sporting ainda não tem – e que o Sp. Braga da final da época passada também não tinha, como não tem nenhuma equipa portuguesa do momento, aliás. E isso, no que toca aos leões, nem é estranho: basta que se repare que em campo tinham dois meninos ainda inexperientes (Matheus e Gelson) ou que Jesus se sentiu impelido a trocar um dos defesas centrais no início do prolongamento, mas que mesmo assim o quarto golo bracarense nasceu de um golpe de cabeça de Rui Fonte na zona dos centrais.

Assim sendo, não é de estranhar que, com duas equipas de elevada qualidade ofensiva e sem capacidade de controlo, o jogo tenha descambado no festival de golos em que descambou. Ruiz aproveitou um lançamento lateral para dar vantagem ao Sporting, premiando a estratégia mais conservadora de Jesus, que entrou mais perto do 4x3x3 que do 4x4x2, com João Mário à direita e o triângulo formado por William, Adrien e Aquilani ao meio. Ainda assim, foi no corredor central que o Sp. Braga construiu o empate, de Rafa para Wilson Eduardo. Alan fez o 2-1, mas, assim que teve de correr atrás do resultado em vez de o gerir, o Sporting reagiu bem: Slimani empatou de súbito e William marcou o 3-2. O empate saiu de um belo remate de fora da área de Macelo Goiano, a sete minutos do final do tempo regulamentar e, já no prolongamento, Rui Fonte sentenciou a eliminatória a favor dos minhotos.

Ao Sporting resta, em termos internos, o campeonato – que a Taça da Liga será fraca consolação. Falta ver se os intensíssimos 120 minutos de Braga terão reflexo na produção da equipa já no domingo, frente ao U. Madeira, num compromisso em que, mais que gerir, terá mesmo de fazer as despesas da partida.