Último Passe 

2015-12-15
Autocarro de Norton travou Benfica viciado no meio

Uma primeira parte desperdiçada, à espera que as coisas se resolvessem, e uma segunda jogada com mais velocidade, mas a bater contra a muralha defensiva que o U. Madeira raramente tirava do sítio, levaram o Benfica a deixar dois pontos na Choupana, na sequência de um frustrante 0-0 que, já com o calendário acertado, deixa os encarnados a sete e cinco pontos de Sporting e FC Porto, os dois primeiros da tabela. A jogar contra o autocarro com que Luís Norton de Matos respondeu às críticas dos seus dirigentes, a equipa de Rui Vitória sentiu dificuldades para encontrar o caminho do golo, comprovando mais uma vez que se sente mais à vontade a explorar rápidas transições ofensivas do que quando é obrigada a abusar do ataque posicional.

Por alguma razão o Benfica, que tem o melhor ataque da Liga, ficou hoje em branco pela quarta vez em 13 jogos – contra apenas uma de FC Porto e Sporting. E é por isso também que os encarnados nunca se limitam só ao primeiro golo. Quando entra um e os adversários se veem forçados a abrir, o Benfica faz sempre mais: marcou uma vez seis golos, três vezes quatro, três vezes três e duas vezes dois. E muito do que se passou no Funchal tem também a ver com os equilíbrios que a equipa do Benfica encontrou e que a ajudaram a ganhar jogos complicados, como o de Setúbal ou o de Braga. Contra um União estacionado à frente da sua área num 4x5x1 que exigia muito dos alas para que o ponta-de-lança, Cadiz, não ficasse ainda mais abandonado na frente e que metia três médios a fechar o espaço interior à frente da área, que os atacantes benfiquistas procuram para as suas tabelas, faltou ao Benfica explorar mais o conceito em torno do qual Rui Vitória construiu a sua primeira ideia para a equipa: largura.

Não há dois jogos iguais. E as constantes derivações de Pizzi para o meio, que foram o segredo das vitórias mais recentes, porque deixavam a equipa mais forte no espaço interior tanto quando atacava como sobretudo quando reagia à perda da bola, foram na Choupana um handicap, acima de tudo porque faltaram laterais capazes de explorar todo o corredor e porque o interesse do U. Madeira no ataque era tão pouco que a transição defensiva se tornou o menos importante para o Benfica. Pizzi fez um bom jogo – esteve aliás em quase todas as ocasiões de golo do Benfica – mas podia tê-lo feito também a partir do corredor central, em vez de Fejsa, por exemplo, com dois extremos a obrigarem o União a dispersar por toda a largura do campo. Foi essa a única mexida que Rui Vitória podia ter feito e não fez, pois de resto viu sempre bem. Trocou um Gonçalo Guedes em quebra por Carcela, que funciona geralmente como abre-latas e tem golo e chamou ao jogo Jiménez, mais forte na resposta a cruzamentos largos, por troca com Jonas, que acusou em demasia a falta de espaço e de Gaitán.

Mesmo assim, o Benfica não foi avassalador, como exigia o estatuto de melhor ataque da Liga. E, é preciso dizê-lo, o União responder bem defensivamente aos tiros nos pés que os seus dirigentes deram após o 0-6 de Paços de Ferreira. Domingo se verá se foram fogachos.