Último Passe 

2015-08-08
O que quis Jesus ao falar de Rui Vitória

A Supertaça ficará irremediavelmente marcada pelas declarações prévias de Jorge Jesus acerca daquilo que Rui Vitória mudou ou manteve no Benfica. E o que me interessa não é se Jesus foi mais ou menos elegante - não foi, ponto final - ou se teve razão - e também acho que não teve, porque Vitória já mudou alguma coisa. O que interessa aqui são as motivações de Jesus: o próprio, aliás, já veio dizer depois que sabe bem "o que disse e onde queria chegar". E consoante as motivações forem umas ou outras, o treinador do Sporting pode ter sido inteligente ou inconsciente.

Primeiro ponto: Jorge Jesus não foi elegante nem correto. Isso nem se discute. Mas nem o futebol é um concurso de misses nem isso é uma novidade quando se fala do treinador campeão nacional. É um estilo que não é novo nele e a que, quando utilizado sem sotaque da Reboleira, já ouvi chamar "mind games". Rui Vitória pode e deve sentir-se atingido, mas isso terá de resolver com o colega de profissão.
Entramos, por isso, nas motivações de Jesus. E aqui vejo dois lados de análise. Se o que Jesus quer é ficar numa situação de vitória inevitável (ou ganha a máquina que ele montou ou a equipa capaz de a desmontar) está só a ser idiota e a sacrificar os interesses da sua equipa ao seu ego desmesurado. Se, em contrapartida, quer chamar a si a pressão que devia cair na equipa e até espicaçar o adversário, levá-lo do plano racional para o emocional e forçá-lo a mudar coisas que funcionam bem em nome do orgulho ferido, está a ser inteligente e a meter areia na engrenagem encarnada