Último Passe 

2015-12-08
Uma derrota adocicada a deixar dúvidas e certezas

A sétima derrota da época para o Benfica, em casa com o Atlético Madrid, por 2-1, custou o primeiro lugar do Grupo C da Liga dos Campeões, a desfeita de poder vir a enfrentar um “tubarão” nos oitavos-de-final, mas o forcing final dos encarnados, a encostar os espanhóis atrás, terá servido para adocicar sensações e evitar que o desaire deixasse sequelas a nível psicológico. As últimas imagens são as que perduram e as últimas imagens do jogo da Luz são as de um Benfica a forçar e a impedir o Atlético de sair sequer do seu meio-campo. Mas o jogo não foi sempre assim. E por isso, entre algumas certezas e aspetos animadores, também terá avolumado muitas dúvidas na cabeça de Rui Vitória.

Uma das dúvidas que já é quase certeza é acerca da incapacidade de Jonas para jogar como ponta-de-lança de referência. Vitória voltou a usar o 4x2x3x1 dos jogos mais exigentes, mas desta vez, como não havia risco de eliminação, terá decidido dar ao brasileiro o lugar mais avançado no esquema, na esperança de que resultasse e de que assim conseguisse resolver o dilema principal deste Benfica. Que é: o que fazer com Jonas em jogos onde precisa de três médios? Só que Jonas não apareceu. Dispersou-se pelo campo, mas nunca ligou com Gaitán nem foi o homem de referência de que o Benfica precisava, fazendo com que, mesmo tendo mais bola durante toda a primeira parte, os encarnados nunca criassem verdadeiro perigo para a baliza de Oblak. E essa dúvida – avolumada pelo facto de, na primeira vez que tocou na bola, depois de entrar, aos 45’, Mitroglou ter criado um lance de golo iminente – terá contribuído para uma outra: qual é o melhor esquema para o Benfica? O 4x2x3x1 que tão bem funcionara em Braga, por exemplo, porque se montou em cima de uma vantagem madrugadora, falhou desta vez, pois o Benfica só foi perigoso no final, quando juntou dois avançados.

Aqui entra em equação a questão do meio-campo. Os adeptos saíram animados com a prestação de Renato Sanches, importante na forma como liderou a equipa – sim, liderou, é verdade – no assalto final à baliza de Oblak. Mas nessa altura juntaram-se duas coisas: cansaço e desorientação de um adversário que até ao golo de Mitroglou mandara no campo, fruto do seu posicionamento mais inteligente e bem aprendido. Se há coisa que Renato Sanches tem é pulmão. Se há coisa que ainda lhe falta é alguma clarividência, para impedir que lhe ganhem as costas, como sucedeu, por exemplo no primeiro golo do Atlético, marcado por Níguez. Isso trabalha-se: o miúdo tem 18 anos… Mas não permite a Rui Vitória pensar na construção de um meio-campo só com Fejsa e Renato para os jogos da Liga dos Campeões, por mais apoio que Pizzi dê à dupla nas constantes movimentações da ala para o meio. E esse apoio também foi uma das coisas boas do jogo.

Sem grande explicação ficam as razões pelas quais o Benfica só começou a jogar depois do golo de Mitroglou. Até aí, aos 75’, mandaram no campo a pressão defensiva do Atlético, sempre a cortar linhas de passe de forma eficaz, e as saídas trianguladas que os espanhóis conseguiam orquestrar. Os dois golos, de Níguez e Vietto, eram justos na altura em que apareceram. Mas depois do golo de Mitroglou, o Benfica ainda podia ter chegado ao empate, tão transfigurado ficou o jogo: Jiménez, por exemplo, teve o 2-2 na cabeça. É por isso que, tendo sido pior do que o Atlético, o Benfica não sai por baixo no jogo e pode encarar os próximos desafios de cabeça erguida. A começar já em Setúbal.