Último Passe 

2015-12-04
Um golo e mais razões que justificam Renato Sanches

O ar de incredulidade na cara de Rui Costa depois do golaço de Renato Sanches pode até ter tido alguma coisa de encenado, de feito para as câmaras, mas acaba por pontuar aquilo que valeu verdadeiramente a pena na vitória do Benfica sobre a Académica. O miúdo tem pulmão, tem potência, tem velocidade, tem lata, até lhe falta um pouco de estatura – que já não vai ganhar – e de cultura tática – que essa, ganhá-la-á de certeza – mas mesmo assim já merece o estatuto de revelação benfiquista da época, à frente, por exemplo, de Nelson Semedo. O 3-0 final, que o Benfica começou a construir com dois penaltis de Jonas, numa exibição que não deslumbrou, valeu pelos três pontos, que pressionam FC Porto e Sporting, e pela constatação de que Renato começa a resolver os problemas que os encarnados vinham mostrando a meio-campo.

Rui Vitória voltou a recorrer a Jonas, sempre com outro avançado a servir de referência – desta vez foi Mitroglou – mas recompôs o meio-campo de duas formas. Primeiro, abdicou de Gonçalo Guedes e manteve Pizzi, derivando Gaitán para a outra ala, o que dá à equipa outro tipo de soluções que não estão ao alcance do jovem extremo: o transmontano decide melhor, por exemplo, entre os momentos de abrir e de vir para dentro, ajudando ao preenchimento do corredor central. Depois, deu a posição de médio-ofensivo a Renato Sanches, que sem bola sai muito mais vezes para pressionar e com ela imprime ao jogo da equipa um ritmo mais intenso em relação àquilo que o Benfica fazia com qualquer outra dupla de médios anteriormente experimentada por Rui Vitória. Não é um jogador perfeito, precisa ainda de crescer, mas mesmo assim chega para mudar por completo o futebol do Benfica e para permitir que o 4x4x2 funcione sem problemas de maior.

É verdade, ainda assim, que o Benfica viu o jogo resolver-se sem ter feito muito para isso. Os dois primeiros golos apareceram em momentos em que, mesmo tendo mais bola e domínio territorial, os encarnados esbarravam sempre na organização defensiva da Académica. Isso diz algo acerca da falta de inspiração atacante do bicampeão nacional, mas diz sobretudo do crescimento desta equipa da Académica. Exceção feita à ingenuidade no momento dos dois penaltis e à falta de soluções atacantes que mostrou em todo o jogo, esta Académica provou que não era por acaso que entrou na Luz depois de sete jogos seguidos sem perder. Se melhorar ofensivamente, a manutenção não deve ser grande problema.